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Reportagem |
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| edição 82 - Março 2009 |
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| Nanomedicina no tratamento do câncer |
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| por James R. Heath, Mark E. Davis e Leroy Hood |
[continuação]
Medidas em larga escala de concentrações de RNA mensageiro e de proteínas em tumores que sofreram biopsia revelam quanto essas abordagens mais tradicionais são inadequadas. Dois cânceres, aparentemente do mesmo tipo, mas em pacientes diferentes, apresentam sistemas de redes com perturbações bem diferentes. Com base nessas análises moleculares, muitos cânceres, anteriormente considerados diagnosticados como uma mesma doença, agora são diagnosticados como doenças diferentes.
Cerca de 80% dos tumores de próstata crescem tão lentamente que não provocam danos aos seus portadores. Os 20% restantes, entretanto, se desenvolvem rapidamente, invadindo tecidos vizinhos e se espalhando para órgãos distantes, com resultados fatais para o paciente. Nosso grupo de pesquisa está tentando identificar as redes perturbadas por doença nas células da próstata que caracterizam esses principais tipos de câncer. Assim, o médico poderá identificar, já no início, o tipo de câncer do paciente. Essas informações poderiam poupar 80% dos pacientes de cirurgias, radioterapia e quimioterapia, além de dores, incontinência urinária e impotência que acompanham esses tratamentos.
Estamos analisando redes dentro da próstata que separam em subtipos os 20% dos cânceres mais agressivos que podem exigir tratamentos distintos. Por exemplo, ao analisarmos as redes características de câncer da próstata, tanto nos primeiros estágios quanto em metástase, podemos identificar uma proteína secretada no sangue que parece ser um excelente marcador para câncer metastático. Ferramentas desse tipo, capazes de tipificar doenças como o câncer de próstata em subtipos precisos, permitem que o médico escolha as terapias mais adequadas a cada paciente.
Detectando a Doença Embora as análises de RNAs mensageiros e de proteínas dos tecidos tumorais possam informar sobre a natureza de um câncer conhecido, a abordagem de sistemas pode também ser aplicada para distinguir entre saúde e doença. O sangue percorre todos os órgãos do corpo, transportando proteínas e outras moléculas. Por isso, permite uma excelente visão de todo o corpo. A capacidade de se detectar um desequilíbrio em determinadas proteínas ou RNAs mensageiros pode servir para sinalizar a presença de doenças e determinar sua localização e natureza. |
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| James R. Heath, Mark E. Davis e Leroy Hood James R. Heath é diretor da NanoSystems Biology Cancer Center e professor de química do Califórnia Institute of Technology (Caltech), onde trabalha com materiais nanoestruturados e circuitos nanoeletrônicos, além de tecnologias para diagnóstico e tratamento de câncer. Mark E. Davis , professor de engenharia química também do Caltech, desenvolveu materiais especializados para terapia experimental e fundou duas companhias, a Insert Therapeutics e a Calando Pharmaceuticals, que desenvolvem terapias de nanopartículas. Leroy Hood fundou o Institute for Systems Biology, em Seattle, e hoje é seu presidente. Foi também pioneiro em tecnologias de seqüência e síntese de DNA e proteínas. Hood e Heath também fundaram a Integrated Diagnostics, uma companhia de medicina de sistemas que está pesquisando biomarcadores para doenças e desenvolvendo plataformas em nanotecnologia e microfluídica, para transformar os biomarcadores em ferramentas diagnósticas. |
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