Reportagem
  
edição 82 - Março 2009
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Nanomedicina no tratamento do câncer
por James R. Heath, Mark E. Davis e Leroy Hood
[continuação]

Nos testes clínicos chegou-se a uma dosagem ideal da droga, que permitiu ótimos resultados, sem os efeitos típicos da quimioterapia, como vômito, diarréia e perda de cabelo, e sem novos efeitos colaterais. Manter uma ótima qualidade de vida durante o tratamento é animador, e embora a fase I tenha se concentrado na segurança, os testes também indicaram que a droga foi eficaz. Esses resultados são alentadores porque os testes de segurança da terapia padrão apresentaram muitos problemas para os pacientes. Após completar os seis meses de testes, diversos pacientes continuaram usando a droga em doses menores e, entre os que sobreviveram por mais de um ano, estavam pacientes que acabaram desenvolvendo estágios avançados de câncer de pulmão, pâncreas e rins.

Como os efeitos colaterais da IT-101 são reduzidos, essa droga será testada na fase II (eficácia) em mulheres diagnosticadas com câncer ovariano e que passaram por quimioterapia. Em vez de simplesmente “esperar para ver” o progresso da doença, a IT- 101 será ministrada como uma terapia de manutenção, com a expectativa de prevenir o progresso da doença. Os resultados dos testes com a IT-101 e a busca por novos resultados a partir de testes com outros tratamentos, baseados em nanopartículas estão começando a formar um cenário mais amplo sobre as possibilidades dessas novas terapias. De fato, as novas gerações de nanopartículas sintéticas, muito mais sofisticadas, nos dão uma idéia do potencial dessa tecnologia e da importância que essas drogas terão na nova forma – baseada em sistemas – de diagnóstico de doenças e seus tratamentos.

A Calando Pharmaceuticals, em Pasadena, Califórnia, começou a testar, em 2008, um sistema de liberação de siRNA inventado por um de nós (Davis) que ilustra essa nova abordagem. Proteínas na superfície das partículas se ligam a receptores específicos que ocorrem em alta concentração na superfície de células cancerosas. Dentro das células, as partículas liberam moléculas de siRNA, feitas sob medida para se combinar com um gene específico e inibir a produção da proteína codificada por ele.

Essa nanoterapia multifuncional, entretanto, é apenas o começo. Uma vez que os princípios da função da nanopartícula estejam estabelecidos, o conceito pode ser aplicado para criar conjuntos de terapias baseados na associação adequada de drogas, cada uma com suas próprias taxas de liberação. Por exemplo, se desejarmos inibir uma proteína que torna certa droga anticâncer ineficiente, uma opção será criar uma nanopartícula que libere siRNA para inibir o gene para aquela proteína e, só depois, liberar a droga no corpo do paciente. Quando compreendermos melhor a transição molecular entre a saúde e a doença, a abordagem da nanopartícula provavelmente terá papel cada vez mais importante no tratamento das doenças no âmbito molecular.
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James R. Heath, Mark E. Davis e Leroy Hood James R. Heath é diretor da NanoSystems Biology Cancer Center e professor de química do Califórnia Institute of Technology (Caltech), onde trabalha com materiais nanoestruturados e circuitos nanoeletrônicos, além de tecnologias para diagnóstico e tratamento de câncer. Mark E. Davis , professor de engenharia química também do Caltech, desenvolveu materiais especializados para terapia experimental e fundou duas companhias, a Insert Therapeutics e a Calando Pharmaceuticals, que desenvolvem terapias de nanopartículas. Leroy Hood fundou o Institute for Systems Biology, em Seattle, e hoje é seu presidente. Foi também pioneiro em tecnologias de seqüência e síntese de DNA e proteínas. Hood e Heath também fundaram a Integrated Diagnostics, uma companhia de medicina de sistemas que está pesquisando biomarcadores para doenças e desenvolvendo plataformas em nanotecnologia e microfluídica, para transformar os biomarcadores em ferramentas diagnósticas.
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