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Reportagem |
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| edição 82 - Março 2009 |
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| Nanomedicina no tratamento do câncer |
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| por James R. Heath, Mark E. Davis e Leroy Hood |
[continuação]
O Grande Cenário A abordagem de sistemas baseia-se na idéia de que a análise da dinâmica de redes perturbadas por doenças e uma melhor compreensão dos mecanismos da doença podem transformar todas as práticas médicas – melhores diagnósticos, abordagens novas e mais eficazes para terapias e até para a prevenção. Essa abordagem de doenças baseada na biologia de sistemas está promovendo o desenvolvimento de novas tecnologias, incluindo microfluídicas, nanotecnologias, novos equipamentos para visualização e medição, e avanços computacionais que, juntos, poderão analisar, integrar e modelar, um grande número de informações biológicas.
Nos próximos 10 ou 20 anos, uma medicina previsível e personalizada será radicalmente transformada por, pelo menos, duas novas abordagens. A seqüência do genoma humano individual nos permitirá determinar com precisão cada vez maior o futuro da saúde de qualquer pessoa. Dados de proteínas do sangue, obtidos a baixo custo, permitirão avaliar, regularmente e de maneira abrangente, a saúde das pessoas.
A medicina preventiva começa com a identificação das proteínas de uma rede doente que, se perturbada, restaurará o comportamento normal da rede e no final levará a drogas profiláticas que previnem doenças. Por exemplo, uma mulher com alto risco de desenvolver câncer de ovário (40% de chance), que aos 30 anos começa a fazer nanoterapia especialmente desenvolvida para contrabalançar a fonte molecular de risco, pode reduzir a 2% as chances de desenvolver a doença.
Conhecendo as causas que podem levar a doenças, as pessoas poderão participar de maneira mais efetiva de decisões relacionadas à própria saúde; como os diabéticos que se valem de dispositivos eletrônicos e de informações que os auxiliam no controle do seu bem-estar cotidiano.
A compreensão de uma forma de medicina que é previsível, personalizada, preventiva e participativa, terá grandes implicações para a sociedade. A indústria farmacêutica terá de alterar fundamentalmente seus planos de negócios, que atualmente têm falhado, para fornecer drogas altamente eficazes e a custos reais. Essas tecnologias emergentes também levarão à digitalização da medicina – capacidade para extrair informações relevantes sobre doenças, a partir de uma única molécula, uma única célula ou uma única pessoa, da mesma forma como as tecnologias da informação e da comunicação vêm se digitalizando nos últimos 15 anos. Como resultado dessas novas tecnologias de alta produção e baixo custo, os gastos com a saúde deverão cair drasticamente, tornando esse tipo de medicina acessível a todos, mesmo nos países em desenvolvimento.
Para o câncer, as promessas mais animadoras para os próximos 10 anos deverão ser: primeiro, o diagnóstico pré-sintomático do sangue para identificar cânceres incipientes que podem ser tratados com terapia convencional; segundo, estratificação de tumores de tecidos específicos – de mama ou próstata – em tipos distintos, que poderão ser combatidos com medicamentos que proporcionam elevadas taxas de cura; e terceiro, a identificação de redes perturbadas por doenças permitirá o desenvolvimento mais rápido de medicamentos mais baratos e eficientes. Essa nova abordagem para a medicina tem, portanto, potencial para transformar a saúde praticamente para todo mundo. |
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| James R. Heath, Mark E. Davis e Leroy Hood James R. Heath é diretor da NanoSystems Biology Cancer Center e professor de química do Califórnia Institute of Technology (Caltech), onde trabalha com materiais nanoestruturados e circuitos nanoeletrônicos, além de tecnologias para diagnóstico e tratamento de câncer. Mark E. Davis , professor de engenharia química também do Caltech, desenvolveu materiais especializados para terapia experimental e fundou duas companhias, a Insert Therapeutics e a Calando Pharmaceuticals, que desenvolvem terapias de nanopartículas. Leroy Hood fundou o Institute for Systems Biology, em Seattle, e hoje é seu presidente. Foi também pioneiro em tecnologias de seqüência e síntese de DNA e proteínas. Hood e Heath também fundaram a Integrated Diagnostics, uma companhia de medicina de sistemas que está pesquisando biomarcadores para doenças e desenvolvendo plataformas em nanotecnologia e microfluídica, para transformar os biomarcadores em ferramentas diagnósticas. |
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