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Reportagem |
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| edição 56 - Janeiro 2007 |
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| Nossos fiéis escudeiros |
| Estudos com cães portadores de câncer podem contribuir - e muito - para a luta contra a doença em humanos e, ao mesmo tempo, melhorar a terapia do melhor amigo do homem |
| por David J. Waters e Kathleen Wildasin |
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| Cães e pessoas freqüentemente adoecem com os mesmos tipos de câncer. Cientistas argumentam que as semelhanças entre esses tumores, inclusive genéticas, podem ser instrutivas |
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Imagine um homem de 60 anos que se recupera em casa após uma cirurgia de câncer de próstata e recebe consolo de seu velho cão golden retriever. Ele provavelmente não imagina que seu bicho de estimação pode contribuir de maneira decisiva para a conquista de um desafio lançado há alguns anos pelo diretor do Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos. O desafio consiste em descobrir, até 2015, formas de "eliminar o sofrimento e a morte causados pelo câncer.
Atingir a ambiciosa meta do Câncer 2015 exigirá muita engenhosidade e mente aberta a novas idéias. Apesar da compreensão sem precedentes do que células cancerosas podem fazer, a tradução desse conhecimento em vidas salvas tem sido inaceitavelmente lenta. Embora já sejam conhecidas muitas drogas capazes de curar tipos diversos de câncer artificialmente induzidos em roedores, essas substâncias em geral apresentam progresso vagaroso quando aplicadas nos estudos clínicos com humanos. Os modelos em roedores, utilizados para mimetizar câncer em humanos, simplesmente não estão se mostrando à altura. Se quisermos derrotar o câncer, precisaremos trilhar novos caminhos. Consideremos estes fatos: mais de um terço dos americanos tem cachorro em casa, e estima-se que cerca de 4 milhões desses animais receberão o diagnóstico de câncer ainda este ano.
Os cães domésticos e os seres humanos são as duas únicas espécies que desenvolvem naturalmente câncer de próstata letal. O tipo de câncer de mama que afeta esses animais se dissemina preferencialmente nos ossos - exatamente como ocorre nas mulheres. E o câncer ósseo mais freqüente neles, o osteossarcoma, é o mesmo que atinge nossos adolescentes.
Cientistas que trabalham com oncologia comparada (campo emergente nesta área) acreditam que tais semelhanças dão um enfoque inédito ao combate da doença. Eles comparam cânceres de ocorrência natural em animais e humanos - explorando as incríveis semelhanças e as notáveis diferenças.
Neste exato momento, especialistas em oncologia comparativa estão recrutando cães de estimação para enfrentar os mesmos obstáculos enfrentados por nós no cumprimento da meta do Câncer 2015. Eles estão preocupados em descobrir melhores tratamentos, estabelecer doses de medicamentos mais eficazes, identificar fatores ambientais que desencadeiam a doença, entender por que alguns indivíduos são resistentes aos tumores cancerosos e encontrar formas de evitá-los. Enquanto o relógio do Câncer 2015 continua a correr, oncologistas se perguntam: "O destino trágico de muitos cães com câncer não poderia pelo menos ajudar a curar pessoas e cães no futuro?" |
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| David J. Waters e Kathleen Wildasin é professor de oncologia comparada da Universidade Purdue, diretor associado do Centro Purdue de Envelhecimento e Curso da Vida e diretor executivo da Fundação do Câncer Gerald P. Murphy em West Lafayette, Indiana, Estados Unidos. Obteve o título de bacharel e de doutor em medicina veterinária na Universidade Cornell e Ph.D. em cirurgia veterinária na Universidade de Minnesota. KATHLEEN WILDASIN escreve sobre medicina e ciência. |
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