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Reportagem

O Bebê de Pandora

A fertilização in vitro já foi considerada uma ameaça à nossa humanidade. Depois de mais de duas décadas, a clonagem inspira temores semelhantes.

Robin Marantz Henig
Um microagulha injeta o conteúdo de DNA de um espermatozóide diretamente em um óvulo humano, processando a fertilização in vitro
Em 25 de julho, uma pessoa antes considerada única, completa 25 anos. Essa auxiliar em uma escola maternal do norte da Inglaterra parece uma jovem comum ? uma loira quieta e tímida, que aprecia, ocasionalmente, uma rodada de dardos no pub da vizinhança. Mas um quarto de século atrás, as manchetes dos jornais anunciaram seu nascimento como o do ?bebê do século?. Louise Brown foi o primeiro bebê de proveta do mundo.

Talvez as pessoas hoje se lembrem do nome de Brown, de sua nacionalidade, ou do ato dramático que seus médicos Steptoe e Edwards pareciam anunciar. Mas os anos enfraqueceram a memória de um dos mais importantes aspectos de sua chegada: o horror. Mesmo entre cientistas havia o temor de que Patrick Steptoe e Robert Edwards estivessem criando uma peste em uma placa de Petri. A criança seria normal ou as manipulações de laboratório poderiam provocar alterações genéticas terríveis? Apresentaria cicatrizes psicológicas ao conhecer a maneira bizarra pela qual fora concebida? Seria a precursora de uma raça de seres desnaturados moldados especificamente para fins abomináveis?

Agora que a fertilização in vitro (FIV) gerou um milhão de bebês em todo o mundo, esses temores e especulações parecem estranhos e até absurdos. Mas as mesmas questões antes levantadas estão sendo colocadas, algumas vezes quase que literalmente, nas discussões sobre clonagem humana. A clonagem seguirá o mesmo caminho da FIV, metamorfoseando o monstruoso em corriqueiro? E se a clonagem humana, assim como outras intervenções genéticas no embrião, tornar-se, algum dia, lugar-comum como bebês feitos em tubos de teste, isso deve ser temido ou louvado? As lições aprendidas depois da experiência com a FIV podem apontar um caminho para as próximas decisões a serem tomadas.

Quando a FIV passou de hipótese para realidade, alguns a consideraram puro exibicionismo de cientistas: ?O desenvolvimento de bebês em tubos de ensaio?, salientou um crítico, ?pode ser comparado ao aperfeiçoamento de transplantes de asas para porcos voarem?. Mas outros consideraram a FIV um insulto perigoso à Natureza. Na primavera de 1972, a revista britânica Nova trouxe uma matéria de capa sugerindo que os bebês de proveta eram a ?maior ameaça desde a bomba atômica?. A revista também pedia controle. ?Se não aceitarmos hoje a responsabilidade de dirigir os biólogos, amanhã poderemos pagar um preço alto demais ? a perda do livre-arbítrio, e, com ela, da nossa humanidade. Não temos muito tempo de sobra?, professaram seus editores
O primeiro bebê que nasceu de FIV, Louise Brown, tinha 14 meses quando brincou diante de câmeras de TV. Louise aparece ao lado do pesquisador de FIV Pierre Soupart, da Vanderbilt University, que previu que no momento em que ela tivesse 15 anos, haveria ?tantos outros (bebês de proveta) que eles não seriam mais fora do comum
Outro inimigo da FIV, Leon Kass, biólogo da University of Chicago, afirmou logo após o nascimento de Louise Brown que se a sociedade permitisse a continuidade da FIV, algumas questões vitais estariam em jogo: ?a idéia de humanidade em nossas vidas e o significado de nossa encarnação, nosso ser sexual, e nossa relação com ancestrais e descendentes?.
Nos últimos 30 anos, Kass foi líder detrator de cada nova forma de tecnologia reprodutiva. ?(A clonagem) ameaça a dignidade da procriação humana, permitindo a uma geração o controle genético sem precedentes sobre a próxima?, escreveu ele no New York Times este ano. ?É o primeiro passo em direção a um mundo eugênico, onde as crianças tornam-se objetos de manipulação e produtos da vontade.? Tal comentário, vindo de Kass, é particularmente notável devido à sua posição ímpar: há dois anos, ele preside o Conselho de Bioética do presidente George W. Bush, cuja função principal é aconselhar sobre a regularização da clonagem humana.

A FIV, obviamente, não acabou criando uma legião de crianças menos humanas, tampouco representou um papel de desintegração do núcleo familiar, conseqüências temidas por pessoas como Kass. E nessa última década foram introduzidos métodos tão mais novos e avançados, que aquela ?FIV básica? pela qual Louise Brown foi gerada, parece agora mera rotina. Mas um antigo prognóstico mostrou conter mais que um fundo de verdade. Críticos advertiram, na década de 70, que a FIV poderia nos fazer adentrar o caminho ?escorregadio? em direção a formas mais sofisticadas e ? para alguns, questionáveis ? de tecnologia de reprodução. Uma vez permitindo-se que óvulos humanos fossem fertilizados em laboratório, as comportas estariam abertas e não haveria freio para nossa queda.

Se considerarmos todas as técnicas que podem em breve estar disponíveis para manipular um embrião, poderia parecer que os opositores da FIV estavam corretos em seus posicionamentos quanto ao aspecto do declive. Afinal, nenhuma das intervenções genéticas hoje debatidas ? diagnóstico genético pré-natal, inserções de gene em células sexuais ou embriões para a correção de doenças, criação de novas cadeias de células-tronco embriônicas e a clonagem ? poderia ser uma potencialidade se os cientistas não tivessem aprendido primeiro como fertilizar óvulos humanos em laboratório.

Mas a existência de uma trajetória escorregadia significa que a pesquisa em tecnologia reprodutiva de hoje irá inevitavelmente acarretar desdobramentos considerados repulsivos para alguns, tais como embriões para fonte de tecidos ou a produção ainda mais abominável de híbridos humanos-não humanos e clones? Muitas pessoas têm claramente esse temor, o que explica os esforços atuais dos Estados Unidos para restringir a capacidade de cientistas manipularem embriões mesmo antes de o trabalho ser realizado. Mas essa postura levanta questões fundamentais: a ciência com profundas implicações morais e éticas deve simplesmente não ser realizada? Ou deve continuar, observando-se com cuidado a antiga evolução de certas áreas da pesquisa, de forma que a sociedade possa tomar decisões equilibradas sobre a necessidade de regulamentação?
MANIFESTANTES PROTESTAM CONTRA as pesquisas de clonagem embrionária da Advanced Cell Technologies diante da matriz da empresa em Worcester, Massachusetts, em 30 de novembro de 2001. Protestos similares contra a fertilização in vitro ocorreram na década de 70
FIV Desregrada

O delírio para tentar regulamentar ou mesmo declarar ilegal a clonagem é, em parte, uma tentativa deliberada de não permitir que o processo siga a trilha da FIV ? uma confusão de atividades desregradas, sem a supervisão ética e governamental ou coordenação científica. Ironicamente, o motivo de a FIV ter se tornado tão onipresente e incontrolável nos Estados Unidos foi que seus oponentes, particularmente ativistas antiaborto, estavam tentando brecá-la completamente. A objeção principal dos opositores do aborto à FIV foi a de que o processo envolvia a criação de embriões extras que seriam descartados sem a mínima cerimônia ? um genocídio pior que qualquer aborto clínico, acreditam. Conseqüentemente, acharam que a melhor estratégia seria evitar que o governo federal financiasse a pesquisa da FIV.

MANIFESTANTES PROTESTAM CONTRA as pesquisas de clonagem embrionária da Advanced Cell Technologies diante da matriz da empresa em Worcester, Massachusetts, em 30 de novembro de 2001. Protestos similares contra a fertilização in vitro ocorreram na década de 70.


Uma sucessão de comissões governamentais discutiu, a partir de 1973, a ética da FIV, sem contudo elucidar certas questões. Algumas das comissões se atolaram em questões políticas sobre aborto e nunca conseguiram organizar uma única reunião. Outras concluíram que a pesquisa da FIV era eticamente aceitável desde que os cientistas honrassem a posição única do embrião como ?uma vida humana em potencial?. Em 1974, o governo extinguiu as verbas federais para pesquisa fetal, proibição que vigorou até 1979. Foram também vetados fundos para pesquisa de embriões humanos (como são definidos os fetos com menos de oito semanas), o que inclui a FIV. Em 1993, o presidente Bill Clinton assinou o National Institutes of Health Revitalization Act, prevendo verbas federais para a pesquisa de FIV. Mas em 1996, a pesquisa de embriões seria novamente banida pelo Congresso. O ponto principal é que, apesar de as inúmeras recomendações de conselhos federais de bioética terem salientado que o suporte dos contribuintes fiscais para a pesquisa da FIV seria aceitável com algumas salvaguardas, o governo nunca patrocinou uma única pesquisa para a FIV humana.

Essa ausência de envolvimento governamental, que poderia ter também servido para direcionar o curso da pesquisa da FIV ? levou a um vácuo de fundos públicos, e ao afluxo de cientistas empresariais, financiados por verba privada. Longe do controle do governo, fizeram tudo que queriam ou tudo o que o mercado poderia comportar tornando a FIV, essencialmente, uma ciência ?terra de ninguém?, direcionada pelo mercado e realizada sem diretrizes. Na tentativa profissional de se auto-regulamentar, em 1986, por exemplo, a American Fertility Society emitiu diretrizes éticas e clínicas para seus integrantes ? mas a supervisão voluntária teve uma efetividade só esporádica. Clínicas especializadas, que somavam mais de 160 até 1990, permaneceram esporádicas, e os que recorrem à FIV encontram poucas informações objetivas para ajudá-los a escolher as melhores.
NO DIA SEGUINTE ao seu 20.º aniversário, Louise Brown posa para foto em casa com seus familiares
O governo federal está hoje ativamente envolvido na regulamentação da clonagem, o que parece ser um esforço para evitar os erros cometidos com a FIV. Quando foi anunciado, em 1997, o nascimento de Dolly, o primeiro mamífero clonado de uma célula adulta, Bill Clinton criou mecanismos, que ainda vigoram, para proibir tais atividades em humanos. O Congresso fez várias tentativas para coibir a clonagem humana, mais recentemente com o projeto de lei segundo o qual qualquer forma de clonagem humana seria punida com uma multa de US$ 1 milhão e mais de 10 anos de cadeia. A Câmara já aprovou o projeto, mas o Senado ainda irá discuti-lo. No entanto, os políticos reuniram os dois tipos de clonagem que cientistas tentavam manter separados: a clonagem ?terapêutica?, destinada a produzir células-tronco embrionárias, que poderiam eventualmente se desenvolver em tecidos humanos específicos para tratar doenças degenerativas, e clonagem ?reprodutiva?, desenvolvida especificamente para gerar um ser humano clonado. Um segundo projeto de lei, que circula agora no Senado, iria explicitamente proteger a clonagem terapêutica enquanto a clonagem para fins reprodutivos configuraria uma transgressão federal.

Riscos da FIV Revelados

Um resultado da falta de regulamentação da FIV é que foram necessários 25 anos para se comprovar que crianças geradas pela FIV correm riscos médicos maiores. Durante a maior parte das décadas de 80 e 90, a FIV foi considerada inócua, a não ser pelos problemas associados a nascimentos múltiplos: um terço de todas as gestações da FIV resultaram em gêmeos ou trigêmeos, conseqüência involuntária da prática de implantar seis, oito ou até 10 embriões no útero em cada ciclo da FIV, na esperança de que pelo menos um deles ?vingasse?. Quando estudos preliminares levantaram dúvidas sobre a segurança da FIV ? demonstrando um índice duas vezes maior de aborto, três vezes maior de natimorto e morte neonatal e uma incidência cinco vezes maior de gravidez ectópica ? muitas pessoas atribuíram os problemas não à própria FIV, mas à sua associação com a gravidez múltipla.

Mas no ano passado o lado negro da FIV ficou incontestável. Em março de 2002, o New England Journal of Medicine publicou dois estudos sobre a evolução do aumento no índice de nascimentos múltiplos entre bebês da FIV e ainda encontraram problemas. Um deles comparou o peso ao nascer de mais de 42 mil bebês da FIV nos Estados Unidos, em 1996 e 1997, ao de mais de três milhões de bebês concebidos naturalmente. Excluindo-se tanto os nascimentos prematuros e os múltiplos, os bebês de proveta tinham uma probabilidade 2,5 vezes maior de apresentar baixo peso ao nascer (menos de 2,5 quilos). O outro estudo analisou mais de 5 mil bebês nascidos na Austrália entre 1993 e 1997, incluindo 22% oriundos de FIV. Concluíram que os bebês da FIV estavam duas vezes mais sujeitos a defeitos congênitos que os naturalmente concebidos, particularmente a anormalidades cromossômicas e músculo-esqueléticas. Os pesquisadores sugerem que tais problemas talvez sejam decorrentes de drogas usadas para induzir a ovulação ou para manter a gravidez nos primeiros estágios. Além disso, fatores que contribuem para a infertilidade podem aumentar o risco para defeitos congênitos. A culpa poderia também ser colocada na própria técnica da FIV.

Esses riscos só puderam permanecer ocultos durante mais de duas décadas de experiência com a FIV, porque nenhum sistema jamais foi colocado em prática para monitorar resultados.

Apesar de os efeitos colaterais médicos da FIV estarem finalmente vindo à luz, as previsões mais alarmistas sobre a direção que a FIV poderiam tomar nunca foram confirmadas. Os ?úteros de aluguel?, por exemplo, um grupo de mulheres oprimidas, pagas para dar à luz crianças de ricos inférteis, não se espalharam.
A clonagem humana deve também se tornar menos assustadora do que imaginamos atualmente. Forças do mercado podem tornar impraticável a clonagem reprodutiva, e os avanços científicos a tornariam desnecessária. Pessoas incapazes de produzir óvulos ou espermatozóides, por exemplo, poderiam considerar a clonagem para produzir um rebento. Mas a tecnologia desenvolvida para a clonagem, talvez tornasse possível a criação de óvulos e espermatozóides artificiais, contendo o próprio DNA da mulher e do homem, que seriam então combinados com o espermatozóides ou o óvulo de um companheiro. ?Clonagem?, no futuro, poderá se referir só ao que está agora sendo chamado de clonagem terapêutica: uma técnica de laboratório para a produção de células para a regeneração de órgãos danificados, por exemplo. Alguns observadores acreditam que o uso mais comum para a tecnologia de clonagem não chegará a envolver células humanas: a criatura com maior probabilidade de ser clonada pode acabar sendo o cachorro ou o gato de estimação da família
NO DIA SEGUINTE ao seu 20.º aniversário, Louise Brown posa para foto em casa com seus familiares


A história da FIV revela as armadilhas encontradas pela clonagem se a tomada de decisão for simplesmente evitada. Porém, apesar das similaridades nas reações das sociedades diante da FIV e da clonagem, as duas tecnologias são filosoficamente bem distintas. O objetivo da FIV é imitar a reprodução sexual, de forma a produzir um ser humano geneticamente único. Muda só o local da concepção, depois os eventos se sucedem da mesma forma natural. A clonagem descarta a reprodução sexual: seu objetivo não é imitar o processo, e sim a entidade viva já existente. Mas talvez a maior diferença entre a FIV e a clonagem seja o foco de nossas preocupações. Na década de 70, o temor maior em relação à fertilização in vitro era seu fracasso, levando à tristeza, à decepção e, possivelmente, ao nascimento de bebês grotescamente anormais. Hoje, o maior medo é que a clonagem seja bem-sucedida.

RESUMO / In Vitro Veritas

Uma série de argumentos contra a fertilização in vitro no passado e a clonagem hoje, enfatizam uma ameaça vaga à verdadeira natureza da humanidade.

Críticos da FIV tentaram evitar que o governo federal apoiasse pesquisas, ironicamente permitindo com isso, que a técnica florescesse sem muito controle.

Devido à falta de supervisão, foi somente nos últimos anos que veio à luz o índice crescente de defeitos congênitos e baixo peso de bebês ao nascer relacionados à FIV.
JULGAMENTO: Doris Del-Zio e seu advogado, Michael Dennis, em frente ao fórum distrital em Nova York, em 17 de julho de 1978, depois de uma sessão do júri. Del-Zio e seu marido, John, processaram o médico Raymond Vande Wiele por impedir uma tentativa de fertilização in vitro do casal

DA AFRONTA À APROVAÇÃO

A história de Del-Zio demonstra a ironia resultante das mudanças de atitude da sociedade com relação à FIV na década de 70. Após vários anos sem conseguir engravidar, Del-Zio e seu marido dirigiram-se ao Landrum Shettles, hoje conhecido como Columbia Presbyterian Medical Center. No outono de 1973, Shettles preparou uma tentativa precipitada de procedimento de FIV para o casal. A operação foi abruptamente encerrada pelo coordenador-geral do centro, Raymond Vande Wiele, que se sentiu ultrajado pela audácia do Shettle e questionou a ética médica do FIV. Wiele confiscou e congelou o recipiente contendo os óvulos e o esperma dos Del-Zio. Para o casal, Wiele havia cometido um assassinato: os Del-Zio o processaram, assim como seus funcionários, em $1,5 milhão de dólares.

Coincidentemente, o caso dos Del-Zio contra Wiele foi finalmente levado a julgamento em julho de 1978, mesmo mês em que Louise Brown nasceu. O nascimento do primeiro bebê de proveta do mundo colocou a antiga tentativa de FIV do Shettles sob um prisma diferente. Depois da aparição de Brown, a maioria das pessoas incluindo os dois homens e as quatro mulheres do júri dos Del-Zio ? parecia muito mais inclinada a pensar na FIV como um milagre médico que como uma ameaça à sociedade civilizada.
O julgamento durou seis semanas, cada lado defendendo sua visão quanto ao bom senso, segurança e adequação da FIV. Ao final, Wiele foi considerado culpado pelo ?comportamento arbitrário e maligno?, e condenado a pagar 50 mil dólares a Doris Del-Zio.

A FIV se desenvolveu rapidamente após o julgamento e outros 200 bebês de proveta ? incluindo a irmã de Louise Brown, Natalie ? nasceram nos cinco anos seguintes. (Natalie é agora mãe, tendo concebido naturalmente, e é o primeiro bebê de FIV a dar à luz).

Observar tantos bebês de proveta de aspecto saudável em todo o mundo fez com que Wiele mudasse de opinião, uma mudança que acompanhou a transformação do sentimento com relação a FIV que estava ocorrendo na opinião pública em grande escala. Quando a Columbia University abriu a primeira clínica de FIV em Nova York, em 1983, o co-diretor era Raymond Vande Wiele.