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Reportagem |
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| edição 14 - Julho 2003 |
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| O Bebê de Pandora |
| A fertilização in vitro já foi considerada uma ameaça à nossa humanidade. Depois de mais de duas décadas, a clonagem inspira temores semelhantes. |
| por Robin Marantz Henig |
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| Um microagulha injeta o conteúdo de DNA de um espermatozóide diretamente em um óvulo humano, processando a fertilização in vitro |
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Em 25 de julho, uma pessoa antes considerada única, completa 25 anos. Essa auxiliar em uma escola maternal do norte da Inglaterra parece uma jovem comum ? uma loira quieta e tímida, que aprecia, ocasionalmente, uma rodada de dardos no pub da vizinhança. Mas um quarto de século atrás, as manchetes dos jornais anunciaram seu nascimento como o do ?bebê do século?. Louise Brown foi o primeiro bebê de proveta do mundo.
Talvez as pessoas hoje se lembrem do nome de Brown, de sua nacionalidade, ou do ato dramático que seus médicos Steptoe e Edwards pareciam anunciar. Mas os anos enfraqueceram a memória de um dos mais importantes aspectos de sua chegada: o horror. Mesmo entre cientistas havia o temor de que Patrick Steptoe e Robert Edwards estivessem criando uma peste em uma placa de Petri. A criança seria normal ou as manipulações de laboratório poderiam provocar alterações genéticas terríveis? Apresentaria cicatrizes psicológicas ao conhecer a maneira bizarra pela qual fora concebida? Seria a precursora de uma raça de seres desnaturados moldados especificamente para fins abomináveis?
Agora que a fertilização in vitro (FIV) gerou um milhão de bebês em todo o mundo, esses temores e especulações parecem estranhos e até absurdos. Mas as mesmas questões antes levantadas estão sendo colocadas, algumas vezes quase que literalmente, nas discussões sobre clonagem humana. A clonagem seguirá o mesmo caminho da FIV, metamorfoseando o monstruoso em corriqueiro? E se a clonagem humana, assim como outras intervenções genéticas no embrião, tornar-se, algum dia, lugar-comum como bebês feitos em tubos de teste, isso deve ser temido ou louvado? As lições aprendidas depois da experiência com a FIV podem apontar um caminho para as próximas decisões a serem tomadas.
Quando a FIV passou de hipótese para realidade, alguns a consideraram puro exibicionismo de cientistas: ?O desenvolvimento de bebês em tubos de ensaio?, salientou um crítico, ?pode ser comparado ao aperfeiçoamento de transplantes de asas para porcos voarem?. Mas outros consideraram a FIV um insulto perigoso à Natureza. Na primavera de 1972, a revista britânica Nova trouxe uma matéria de capa sugerindo que os bebês de proveta eram a ?maior ameaça desde a bomba atômica?. A revista também pedia controle. ?Se não aceitarmos hoje a responsabilidade de dirigir os biólogos, amanhã poderemos pagar um preço alto demais ? a perda do livre-arbítrio, e, com ela, da nossa humanidade. Não temos muito tempo de sobra?, professaram seus editores |
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| Robin Marantz Henig escreveu sete livros, o mais recente The Monk in the Garden: The Lost and Found Genius of Gregor Mendel. Seus artigos foram publicados no New York Times Magazine, Civilization e Discover, entre outras publicações. Henig recebeu as distinções de membro da Alicia Patterson Foundation e uma indicação para o National Book Critics Award. Vive em Nova York com o marido, Jeffrey R. Henig, professor de ciência política na Columbia University; e tem duas filhas quase adultas. Seu próximo livro, intitulado Pandora?s Baby, versa sobre as pesquisas iniciais sobre fertilização in vitro. |
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