Reportagem
  
edição 52 - Setembro 2006
O declínio dos Maias
Pesquisas recentes reafirmam o papel essencial do clima no colapso da grande civilização que ocupou extensas áreas da América Central
 
Com sua magnífica arquitetura e sofisticado conhecimento de astronomia e matemática, os maias foram uma das grandes culturas do mundo antigo. Embora não utilizassem a roda nem instrumentos de metal, eles construíram pirâmides, templos e monumentos imensos de pedra talhada.

Grandes cidades e centros cerimoniais pequenos se espalhavam por toda a planície da península de Yucatã, que abrange parte do México e da Guatemala e quase todo Belize. De observatórios astronômicos como o de Chichén Itzá, eles acompanhavam a trajetória dos planetas e desenvolviam calendários precisos (ver "Astronomia maia", SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL, edição especial no 14, Etnoastronomia).

Além disso, os maias criaram seu próprio sistema matemático com base numérica 20 e dominavam o conceito de zero (ver "Aritmética maia", SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL, edição especial no 11, Etnomatemática). Também desenvolveram uma escrita hieroglífica que empregava centenas de complicados sinais.

A civilização maia atingiu seu ápice durante o chamado período Clássico (250-950). No auge, em 750, a população talvez tenha ultrapassado 13 milhões. Porém, pouco tempo depois, entre 750 e 950, houve rápido declínio. Centros urbanos densamente povoados foram abandonados, e seus impressionantes edifícios viraram ruínas. A extinção dessa civilização (que os arqueólogos chamam de "o colapso terminal do período Clássico") é um dos grandes mistérios antropológicos dos tempos modernos. O que teria acontecido?
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