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Reportagem |
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| edição 68 - Janeiro 2008 |
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| O impacto dos mergulhos |
| Áreas que concentram atividades, como aulas ou exploração turística, podem estar ameaçadas e por isso mesmo exigem controle maior |
| por Daniela Muramatsu e Fábio Lang da Silveira |
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© TAMMY PELUSO/Stockphoto |
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| PRESENÇA HUMANA CRESCENTE afeta organismos marinhos e em alguns casos inibe recuperação |
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O mergulho autônomo já foi considerado uma atividade de impacto reduzido para os ecossistemas marinhos. Evidências recentes, no entanto, demonstram que as comunidades coralíneas podem ser degradadas se submetidas a planos de manejo malfeitos ou a intensa atividade turística.
Estudos sobre a reprodução de corais pétreos brasileiros surgiram apenas recentemente, entre o fim da década de 90 e início de 2000. Das 16 espécies que vivem em profundidades até 30-40 metros, ou em águas rasas descritas para o Brasil, metade já foi estudada quanto a seus aspectos reprodutivos. Esse tipo de abordagem geralmente envolve a coleta de animais em seus habitats marinhos, o que exige planejamento adequado e deve levar em conta não só os objetivos finais da pesquisa, mas também os potenciais impactos negativos, principalmente na etapa de coleta (Quantas coletas? Quantos corais por coleta? Qual o tamanho desses corais? Como vamos coletar?).
Os organismos marinhos estão sendo confrontados com distúrbios ambientais gerados pelo homem muitas vezes com caráter contínuo e crônico, que impossibilitam a recuperação. Além disso esses distúrbios podem ocorrer com grande freqüência e intensidade, pondo em xeque a capacidade desses animais de se adaptarem às condições não familiares em um curto período de tempo. Por isso mesmo é importante que as pesquisas com corais e outros organismos marinhos produzam o mínimo impacto tanto aos indivíduos quanto às comunidades a que pertencem.
Essa preocupação em minimizar os impactos surgiu logo no início do desenvolvimento do projeto de mestrado de um dos autores deste artigo (Daniela Muramatsu), realizado na área de zoologia da Universidade de São Paulo (USP) entre os anos de 2004 e 2007. O projeto envolveu a coleta (devidamente autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama) com mergulho autônomo (scuba, em inglês) de colônias do coral pétreo Madracis decactis, que ocorrem na baía de Ilha Grande, RJ, na Estação Ecológica de Tamoios. |
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 | Daniela Muramatsu e Fábio Lang da Silveira Ela é bióloga, concluiu o mestrado em 2007 pelo Departamento de Zoologia da Universidade de São Paulo. Descobriu o mergulho em 2002, durante uma viagem de estudos ao Japão, onde teve o privilégio de observar ao vivo a liberação de gametas em massa de muitas espécies de corais. Ele é biólogo, professor-doutor do Departamento de Zoologia da Universidade de São Paulo. Mergulha há mais de 30 anos e desenvolve estudos sobre a biologia dos cnidários. Atualmente, é gestor do “Ocean Biogeographic Information System” (Obis) do Brasil, que oferece gratuitamente dados biogeográficos de plantas e animais marinhos de todo o mundo via internet (http://obissa.cria.org.br:8080/about/OBIS_Brasil). |
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