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Reportagem |
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| edição 71 - Abril 2008 |
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| O intrincado quebra-cabeça da saúde do trabalhador |
| O maior estudo já conduzido sobre saúde no local de trabalho está aplicando técnicas de última geração para investigar uma aparente concentração de casos de câncer – e mostrando por que a ciência nem sempre nos protege no trabalho |
| por Carole Bass |
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| FOTOGRAFIA DO CUBO DE RUBIK POR JAMES PORTO; FOTOILUSTRAÇÃO POR JEN CHRISTIANSEN; BETTMANN/CORBIS (amarelo); JAMES PORTO (azul);UNIVERSITY OF PITTSBURGH (vermelho e laranja); SECRETARIA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DO ESTADO DE CONNECTICUT (verde) |
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No tempo de John Shea e John Greco a cavernosa fábrica da Pratt & Whitney Aircraft era coberta por uma névoa oleosa que exalava da máquina de amolar, revestindo o teto e cobrindo os trabalhadores. Eles voltavam para casa encharcados de óleo. Fossas de remoção de gordura, cheias de solvente para limpar peças de motor, se espalhavam pelo chão da fábrica; os trabalhadores usavam latas de solvente para limpar mãos e roupas. Shea passou 34 anos amolando lâminas e pás de motor na fábrica de quase 93 mil m2 em North Haven, Connecticut, Estados Unidos. Em 1999, aos 56 anos, recebeu o diagnóstico de câncer no cérebro. Seis meses depois, seu amigo e colega de trabalho Greco descobriu que estava com a mesma doença: glioblastoma multiforme (GBM), o tipo mais agressivo de tumor cerebral. Um ano após o diagnóstico de Shea, ambos estavam mortos, mas as viúvas já se perguntavam sobre o número aparentemente incomum de casos dessa forma letal de câncer na fábrica de um dos maiores produtores de motores de jato do mundo.
O que começou em 2001 como uma investigação sobre um aparente agrupamento de casos de câncer no cérebro em North Haven – 13 casos de tumor cerebral maligno primário entre os trabalhadores, 11 deles glioblastoma, apenas na década anterior – tornou-se o maior estudo de saúde no trabalho já conduzido. Uma equipe liderada pelos pesquisadores Gary Marsh, da University of Pittsburgh, e Nurtan Esmen, da University of Illinois em Chicago (UIC), está engajada para resolver um complexo quebra-cabeça: primeiro, os pesquisadores têm de rastrear um número ainda desconhecido de casos de câncer no cérebro entre quase 250 mil funcionários de oito fábricas da Pratt & Whitney por um período de 50 anos e então determinar, se possível, o que pode ter provocado o tumor, fazendo uma reconstituição das exposições dos trabalhadores a uma miríade de agentes potencialmente tóxicos. O grupo espera publicar os resultados preliminares entre meados deste ano e o próximo.
A tarefa de Marsh e Esmen ilustra a dificuldade de estudar a epidemiologia do local de trabalho, envolvendo múltiplas exposições em várias fábricas. A capacidade dos pesquisadores de fornecer respostas concretas sobre o que aconteceu com os trabalhadores no passado também será limitada por um entendimento científico incompleto, tanto acerca dos desencadeadores de tumor cerebral quanto sobre a toxicidade de muitas substâncias químicas usadas no setor. O estudo poderia esclarecer ambos os assuntos utilizando as técnicas disponíveis mais sofisticadas. A investigação também destaca o fato de que determinar níveis seguros de exposição a substâncias tóxicas no local de trabalho permanece um desafio ainda hoje. |
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 | Carole Bass é jornalista investigativa e escreve sobre saúde pública, questões legais e meio ambiente. É membro da Alicia Patterson Foundation, investigando e escrevendo sobre substâncias químicas tóxicas no trabalho. Bass é ex-repórter e editora do New Haven Advocate, para o qual escreveu muito sobre os casos de câncer no cérebro na Pratt & Whitney Aircraft , bem como para o Connecticut Law Tribune. |
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