Reportagem
  
edição 71 - Abril 2008
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O intrincado quebra-cabeça da saúde do trabalhador
O maior estudo já conduzido sobre saúde no local de trabalho está aplicando técnicas de última geração para investigar uma aparente concentração de casos de câncer – e mostrando por que a ciência nem sempre nos protege no trabalho
por Carole Bass
JAMES PORTO
Meio milhão de folhas de papel ilustram o número de páginas de registros de funcionários analisados pelos pesquisadores da University of Pittsburgh para compilar a relação de trabalhadores e as informações
[continuação]

O National Institute for Occupational Safety and Health (Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional) dos Estados Unidos estima que quase 49 mil americanos morrem de forma prematura todos os anos por doenças relacionadas ao trabalho – mais de oito vezes o número de mortes por acidentes no local de trabalho. No entanto, a maioria dos limites federais de exposição no trabalho é da década de 60. Como resultado, as diretrizes mais novas da Agência de Proteção Ambiental americana para os níveis seguros de substâncias químicas no ar fora da fábrica chegam a ser 45 mil vezes menores que os níveis regulamentares para o ar dentro da fábrica estabelecidos pelo Departamento de Saúde e Segurança Ocupacional (Osha, na sigla em inglês). Política e economia, e não limitações científicas, podem ser as maiores barreiras para a atualização da proteção à saúde desses trabalhadores. Dessa forma, a investigação da Pratt & Whitney também ilustra como a epidemiologia ocupacional poderia ser melhor se existisse vontade política para tornar a ciência moderna uma aliada.

Reunindo Evidências
Quando os maridos receberam o diagnóstico do mesmo tumor, Carol Shea e Kate Greco não sabiam nada sobre câncer no cérebro ou epidemiologia. Mas como parecia uma coincidência improvável começaram a exigir respostas da Pratt & Whitney: quantos outros trabalhadores tinham câncer no cérebro? O que pode ter provocado isso? Em agosto de 2001, uma investigação da Secretaria Estadual de Saúde Pública de Connecticut descobriu que a incidência de glioblastoma entre os trabalhadores da fábrica de North Haven nos dez anos anteriores correspondia entre 2,8 vezes e sete vezes a taxa esperada.

Àquela altura a Secretaria Estadual de Saúde pediu que a Pratt & Whitney, que se recusou a fazer comentários para este artigo, contratasse um epidemiologista independente para investigar o fato mais a fundo. A empresa procurou Marsh, bioestatístico da Graduate School of Public Health da University of Pittsburgh. Marsh é especialista em pesquisas de saúde em locais de trabalho “bagunçados e atolados de serviço”, com dezenas de milhares de trabalhadores e vários locais de trabalho. Ele imediatamente entrou em contato com Esmen, especialista em avaliar e reconstituir exposições no local de trabalho, com quem colabora com freqüência.
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Carole Bass é jornalista investigativa e escreve sobre saúde pública, questões legais e meio ambiente. É membro da Alicia Patterson Foundation, investigando e escrevendo sobre substâncias químicas tóxicas no trabalho. Bass é ex-repórter e editora do New Haven Advocate, para o qual escreveu muito sobre os casos de câncer no cérebro na Pratt & Whitney Aircraft , bem como para o Connecticut Law Tribune.
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