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Reportagem |
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| edição 71 - Abril 2008 |
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| O intrincado quebra-cabeça da saúde do trabalhador |
| O maior estudo já conduzido sobre saúde no local de trabalho está aplicando técnicas de última geração para investigar uma aparente concentração de casos de câncer – e mostrando por que a ciência nem sempre nos protege no trabalho |
| por Carole Bass |
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BETTMANN/CORBIS |
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| TRABALHADORES na fábrica de East Hartford da Pratt & Whitney Aircraft montando um motor de jato desenvolvido para o Boeing 727, testado em julho de 1961. A fábrica é uma das oito em Connecticut incluídas em uma investigação sobre casos de câncer cerebral entre os funcionários da empresa |
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[continuação]
A dupla inicialmente enfocou a fábrica de North Haven, fechada em 2002. Mas quando descobriu que a empresa fazia trabalhos semelhantes em outras fábricas em Connecticut, decidiu avaliar todas as oito unidades. Assim, um estudo inicialmente projetado para abordar cerca de 100 mil empregados cresceu para uma investigação de sete anos, US$ 12 milhões e quase 250 mil trabalhadores no período de 1952 a 2001.
O projeto maior tem duas vantagens científicas, considera Marsh: maior poder estatístico, o que reduz a chance de resultados falso-negativos e aumenta a probabilidade de detectar padrões sutis; além de melhor comparação entre as práticas internas de trabalho, exposições e conseqüências para a saúde. A epidemiologia ocupacional muitas vezes sofre com o chamado “efeito trabalhador sadio” – comparar de forma enganosa as taxas de doenças em um grupo de trabalhadores com as da população em geral, que inclui pessoas que estão doentes demais para trabalhar.
Mas o tamanho avantajado do estudo também representa um dos maiores desafios para os pesquisadores. Trabalhando sob a supervisão da gerente de projetos Jeanine Buchanich, funcionários da University of Pittsburgh passaram um ano na Pratt & Whitney analisando meio milhão de páginas de registros de pessoal e as resumindo em uma base de dados de informações de status vital dos funcionários. Em seguida, Buchanich começou a rastrear os cerca de 266 mil nomes – coletivamente conhecidos como a coorte – em bases de dados nacionais para saber quais empregados haviam morrido e de quais causas. Um programador de computadores desenvolveu um protocolo para produzir amostras dos nomes de listas de membros de sindicatos, que Buchanich comparou com a coorte para checar se faltava alguém. Ela também teve de corrigir entradas da base de dados cujas datas não faziam sentido: “O arquivo da coorte estava fantasticamente limpo”, diz Buchanich – com uma taxa de erro de menos que 0,1% – “mas ainda assim eram algumas centenas de erros que tive de encontrar e resolver”. Após eliminá-los e aprimorar ainda mais a base de dados, a coorte agora inclui cerca de 224 mil empregados. |
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 | Carole Bass é jornalista investigativa e escreve sobre saúde pública, questões legais e meio ambiente. É membro da Alicia Patterson Foundation, investigando e escrevendo sobre substâncias químicas tóxicas no trabalho. Bass é ex-repórter e editora do New Haven Advocate, para o qual escreveu muito sobre os casos de câncer no cérebro na Pratt & Whitney Aircraft , bem como para o Connecticut Law Tribune. |
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