Reportagem
  
edição 71 - Abril 2008
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O intrincado quebra-cabeça da saúde do trabalhador
O maior estudo já conduzido sobre saúde no local de trabalho está aplicando técnicas de última geração para investigar uma aparente concentração de casos de câncer – e mostrando por que a ciência nem sempre nos protege no trabalho
por Carole Bass
[continuação]

Enquanto isso, o gerente de caso, Zb Bornemann, vem procurando registros de câncer no cérebro. Ele investigou toda a coorte no Registro Nacional de Óbitos americano e no Registro de Óbitos do Seguro Social. E continua a entrar em contato com registros estaduais de câncer em todo o país, verificando se nomes da coorte coincidem com registros de pessoas com tumores cerebrais. Quando detecta um nome Bornemann tenta rastrear o parente mais próximo por meio de bases de dados on-line. Uma vez que Bornemann consegue localizar o parente próximo ou, ocasionalmente, a pessoa viva com câncer no cérebro, envia uma carta convidando a participar do estudo: uma entrevista por telefone, registros médicos e permissão para analisar tecido do tumor cerebral da pessoa.

Encontrar os casos faz parte da primeira parte do estudo – análise de mortalidade – que vai determinar se houve ou não uma taxa de incidência de câncer no cérebro maior que a esperada entre os trabalhadores da Pratt & Whitney, como um todo e entre vários subgrupos. A segunda parte é um estudo de caso-controle aninhado, no qual os pesquisadores comparam cada caso de câncer no cérebro com um empregado da Pratt & Whitney da mesma idade, gênero e ano de contratação, e que não desenvolveu a doença. Comparando seus históricos médicos e de trabalho, incluindo a avaliação de exposição que Esmen está desenvolvendo na UIC, os pesquisadores esperam detectar padrões que possam explicar por que os tumores cerebrais ocorreram em certas pessoas.

O neuroncologista Frank Lieberman, da University of Pittsburgh, está avaliando mutações gênicas no tecido dos tumores cerebrais dos empregados da Pratt & Whitney. Encontrar um padrão distintivo poderia sugerir que o tumor dos empregados da companhia não foi aleatório, mas compartilhou alguma causa.

Aqui, parte da ciência é bastante nova. Lieberman está trabalhando com tecido tumoral embebido em parafina, guardado há anos em hospitais onde os pacientes com câncer da Pratt & Whitney haviam sido submetidos a cirurgias. Até recentemente isso significava que ele estaria limitado a métodos que permitem o exame de apenas 15 a 20 genes por amostra para detectar mudanças que estão sabidamente envolvidas no crescimento do tumor. Agora, graças à melhoria tecnológica, ele pode também usar técnicas de micro arranjo previamente disponíveis apenas para tecidos frescos, que permitem examinar milhares de genes por vez, procurando pequenas mutações, bem como deleções ou duplicações de genes inteiros. “Podemos procurar mudanças nos padrões [de atividade genética]”, diz, “e não apenas por alterações maiores ou menores em genes específicos.”
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Carole Bass é jornalista investigativa e escreve sobre saúde pública, questões legais e meio ambiente. É membro da Alicia Patterson Foundation, investigando e escrevendo sobre substâncias químicas tóxicas no trabalho. Bass é ex-repórter e editora do New Haven Advocate, para o qual escreveu muito sobre os casos de câncer no cérebro na Pratt & Whitney Aircraft , bem como para o Connecticut Law Tribune.
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