Reportagem
  
edição 71 - Abril 2008
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O intrincado quebra-cabeça da saúde do trabalhador
O maior estudo já conduzido sobre saúde no local de trabalho está aplicando técnicas de última geração para investigar uma aparente concentração de casos de câncer – e mostrando por que a ciência nem sempre nos protege no trabalho
por Carole Bass
[continuação]

Lieberman está comparando esses perfis com uma base de dados do National Cancer Institute e amostras de tumores cerebrais de pacientes de sua clínica na universidade, como controles. “Essa é uma técnica muito poderosa”, assegura, em parte porque os pesquisadores “não têm de contar necessariamente com uma hipótese inicial acerca dos genes que são importantes.”

Emanuela Taioli, colega de Lieberman da University of Pittsburgh, utiliza técnicas moleculares semelhantes para identificar danos ao DNA provocados por carcinógenos específicos conhecidos. Os dois grupos estão trabalhando juntos em um esforço piloto para coletar tecidos normais dos trabalhadores da Pratt & Whitney com câncer cerebral, na esperança de detectar quaisquer mudanças moleculares no tecido e correlacioná-las aos carcinógenos que a equipe de Esmen está detectando na empresa. Em princípio, essas impressões digitais da exposição a substâncias tóxicas poderiam representar os passos iniciais rumo ao câncer. A ciência por trás dessas estratégias “é ainda muito nova”, adverte Lieberman. “Estamos tentando aproveitar a oportunidade para obter o máximo de informação acerca de possíveis desencadeadores de câncer de cérebro. Mas as técnicas ainda são extremamente experimentais.”

Arqueologia Industrial
O trabalho da equipe de Esmen em Chicago é menos experimental, mas tão monumental quanto. O grupo passou cinco anos investigando as operações da Pratt & Whitney da década de 50 até a de 90, tentando descobrir quais empregados estavam expostos a que substância e em que níveis. “Se os dados não estão aqui, têm de ser reconstituídos”, diz Esmen, professor de ciências da saúde ocupacional e ambiental da School of Public Health da UIC. “É quase como se fosse uma arqueologia industrial.”

Há muito cientistas suspeitam de uma origem ocupacional de câncer no cérebro. Mas a única causa comprovada é a radiação ionizante, que algumas operações da Pratt & Whitney de fato geravam. Além disso, uma lista de suspeitos vem de estudos anteriores que encontraram altas taxas de câncer cerebral entre pessoas que trabalhavam com certos metais, óleos de máquinas e solventes, mas cujos resultados não foram replicados de forma consistente.
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Carole Bass é jornalista investigativa e escreve sobre saúde pública, questões legais e meio ambiente. É membro da Alicia Patterson Foundation, investigando e escrevendo sobre substâncias químicas tóxicas no trabalho. Bass é ex-repórter e editora do New Haven Advocate, para o qual escreveu muito sobre os casos de câncer no cérebro na Pratt & Whitney Aircraft , bem como para o Connecticut Law Tribune.
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