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Reportagem |
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| edição 71 - Abril 2008 |
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| O intrincado quebra-cabeça da saúde do trabalhador |
| O maior estudo já conduzido sobre saúde no local de trabalho está aplicando técnicas de última geração para investigar uma aparente concentração de casos de câncer – e mostrando por que a ciência nem sempre nos protege no trabalho |
| por Carole Bass |
[continuação]
Trabalhando com os registros da Pratt & Whitney, a equipe de Esmen está tentando reduzir 320 mil tipos de cargos a um número manejável de categorias mais amplas de trabalho. Para cada uma delas, os pesquisadores tentam quantificar a exposição dos trabalhadores aos agentes suspeitos durante vários períodos de tempo.
Entretanto, os números são apenas relativos. “O importante é colocar as coisas na ordem certa”, avalia Esmen. Se os pesquisadores estimarem que o nível de uma exposição determinada foi de 10 unidades, “não se sabe se foi na verdade de 6 ou 12 – mas definitivamente não foi de 100”. Já que não existem medidas, os pesquisadores se baseiam em entrevistas com trabalhadores e engenheiros das fábricas. Eles também utilizam uma montanha de dados fornecidos pela empresa, como registros de compras – para saber as quantidades de material utilizado –, estudos de eficiência da década de 70 – para conhecer a quantidade de tempo gasta em dada tarefa –, publicações internas com títulos como Uma capacidade versátil de engenharia e produção, e qualquer amostragem de ar que a Pratt & Whitney tenha feito ao longo desses anos.
A última informação pode parecer uma rica fonte para a reconstituição das exposições. Mas é mais complicado que parece. Um epidemiologista que está tentando avaliar as exposições em todos os empregados coletaria amostras aleatórias de cada grupo de trabalho e documentaria mudanças entre turnos, e de um dia para o outro. Um higienista industrial chamado para resolver um problema – como queixas respiratórias – obteria amostras apenas da “área problemática” e consideraria apenas os níveis mais altos de uma substância suspeita.
Tratados de higiene industrial instruem seus futuros praticantes a coletar toda gama de amostras, diz o pesquisador Steve Lacey, que ensina essas técnicas a estudantes de pós-graduação na UIC. “Mas essa não é a realidade.” Roger Hancock, outro membro da equipe, que passou um quarto de século trabalhando com higiene industrial no setor privado, conhece a realidade: “Você chega a uma fábrica com um carrinho cheio de equipamentos [de teste], e tem uma semana. Talvez estejam executando o processo apenas uma vez por semana, de modo que você tem uma chance para coletar a mostra. Se a maior delas estiver aquém dos níveis preocupantes, você não pega mais amostras”. |
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 | Carole Bass é jornalista investigativa e escreve sobre saúde pública, questões legais e meio ambiente. É membro da Alicia Patterson Foundation, investigando e escrevendo sobre substâncias químicas tóxicas no trabalho. Bass é ex-repórter e editora do New Haven Advocate, para o qual escreveu muito sobre os casos de câncer no cérebro na Pratt & Whitney Aircraft , bem como para o Connecticut Law Tribune. |
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