Reportagem
  
edição 71 - Abril 2008
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O intrincado quebra-cabeça da saúde do trabalhador
O maior estudo já conduzido sobre saúde no local de trabalho está aplicando técnicas de última geração para investigar uma aparente concentração de casos de câncer – e mostrando por que a ciência nem sempre nos protege no trabalho
por Carole Bass
[continuação]

“Aquém dos níveis preocupantes” significa níveis legais. Se um local de trabalho está nos padrões do Osha, isso já está bom o bastante. Mas pesquisadores da academia e livros médicos reconhecem que o que é bom o suficiente para o departamento nem sempre é o bastante para proteger a saúde dos trabalhadores.

Determinar os níveis seguros de exposição não é fácil, reconhece Terry Gordon, que preside o comitê da American Conference of Governmental Industrial Hygienists – órgão que estabelece os limites de exposição voluntária para substâncias químicas. Como o Osha, sua equipe de cerca de 20 voluntários não conduz pesquisas originais, mas se baseia em estudos já publicados. Pesquisas de toxicologia animal, com condições controladas em laboratório, são mais organizadas que a turva epidemiologia de pessoas de verdade expostas a níveis desconhecidos de combinações de várias substâncias, tanto dentro quanto fora do local de trabalho. Mas os estudos com animais também têm um ponto fraco: medem o efeito de uma substância por vez, enquanto o local de trabalho geralmente contém múltiplos tóxicos. “Dados sobre pessoas são sempre preferíveis para a toxicologia”, diz Gordon, professor e pesquisador do departamento de medicina ambiental da New York University. Mas, “com dados sobre humanos, freqüentemente não há informações suficientes sobre a exposição, e muitas vezes eles não são ligados aos efeitos sobre a saúde”.

Os pesquisadores da Pratt & Whitney estão fazendo o melhor que podem para evitar essas ciladas, mas reconhecem que alguns dos elementos tornam esse estudo “confuso”, como diz Marsh. Devido ao fato de Bornemann ter informações incompletas dos registros estaduais de câncer, provavelmente não detectará alguns casos de câncer cerebral. Entre os pacientes que localizou, 41% concordaram em participar; Marsh quer pelo menos 60% para assegurar a validade científica. Ele também ressalta que, apesar de as lembranças que os participantes têm de seu histórico médico e de estilo de vida serem “razoavelmente boas em um nível mais amplo, elas não valem muito quando precisamos de abordagens mais detalhadas”. E a reconstituição da exposição da equipe da UIC, apesar de toda sua meticulosidade, será apenas uma estimativa do que aconteceu décadas atrás nas fábricas, que desde então foram fechadas ou drasticamente reorganizadas.

Início na Direção Certa
Depois de sete anos e US$ 12 milhões investidos, existe uma boa chance de que o estudo da Pratt & Whitney vá acabar como várias outros estudos sobre saúde no local de trabalho: inconclusivo. Pesquisadores dizem que o fenômeno é fruto da dificuldade da ciência. Como todos os estudos epidemiológicos, este pode, na melhor das hipóteses, provar associações entre exposições e efeitos na saúde, mas não uma relação restrita de causa e efeito. É particularmente difícil detectar as causas de doenças como câncer, que geralmente aparece décadas depois da exposição danosa. E achar níveis seguros de exposição a determinados carcinógenos pode ser impossível.
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Carole Bass é jornalista investigativa e escreve sobre saúde pública, questões legais e meio ambiente. É membro da Alicia Patterson Foundation, investigando e escrevendo sobre substâncias químicas tóxicas no trabalho. Bass é ex-repórter e editora do New Haven Advocate, para o qual escreveu muito sobre os casos de câncer no cérebro na Pratt & Whitney Aircraft , bem como para o Connecticut Law Tribune.
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