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Reportagem |
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| edição 12 - Maio 2003 |
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| O legado de Santos Dumont |
| Registros históricos, na França, comprovam o pioneirismo do inventor brasileiro. |
| por Henrique Lins de Barros |
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| COM O DIRIGÍVEL N-9, Santos Dumont costumava fazer aparições atraindo multidões. Aqui, ele aparece no campo de corridas de Longchamps, no Bois de Boulogne |
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Em 1903, apenas uma pessoa era capaz de realizar vôos controlados. O brasileiro Alberto Santos Dumont, voando o seu pequeno dirigível N-9, realizava impressionantes demonstrações públicas nos céus de Paris. Embora único no ar, Alberto não estava só na dedicação ao vôo. Desde fins do século 19 o vôo mecânico mostrava-se promissor e vários inventores, engenheiros e cientistas se debruçavam sobre o assunto procurando entender como seria possível construir um artefato capaz de se deslocar no ar de forma controlada. Vários aparelhos já haviam sido construídos e testados sem grande sucesso.
Em 1898, quando Santos Dumont iniciou sua carreira de aeronauta, foi criada, na França, uma associação que agregava inventores e incentivadores do vôo mecânico, o Aeroclube da França, que desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da aerostação e da aeronáutica. Uma das primeiras preocupações do aeroclube foi caracterizar, por critérios bem definidos, o que poderia ser considerado vôo controlado. Até então, os diversos relatos não permitiam diferenciar um vôo ocasional, realizado em circunstâncias especiais, de um vôo realmente controlado. Na época, a única evidência inquestionável da possibilidade de se fazer um aparelho voador eficiente eram as demonstrações de vôo planado realizadas pelo engenheiro alemão Otto Lilienthal, entre 1890 e 1896. Lilienthal fez mais de mil vôos planados, antes de morre num acidente.
Uma questão crucial nos últimos anos do século 19 era saber o que poderia ser considerado um vôo motorizado controlado. Como iria lembrar, anos mais tarde, o coronel francês Ferdinand Ferber, um dos precursores da aviação, o vôo real foi conseguido "passo a passo, salto a salto, vôo a vôo".
Alguns inventores anunciavam sucesso em vôos curtos, sem convencer. Mesmo na dirigibilidade de balões a questão se impunha. Em 1852, por exemplo, o francês Henri Giffard conseguira manobras com seus dirigíveis movidos por um motor a vapor. Mas suas experiências foram decepcionantes. Só conseguia algum controle em condições muito singulares, sem vento ou outras interferências. O mesmo ocorreu em 1884, quando os militares franceses Charles Renard e Arthur Krebs, com balão movido por um motor elétrico, cobriram um circuito fechado. Neste cenário o Aeroclube da França foi inaugurado com uma pergunta: como saber se um invento realizou um vôo controlado? |
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