Reportagem
  
edição 18 - Novembro 2003
O rebocador de asteróides
Para evitar que um bólido celeste atinja a Terra, uma nave espacial equipada com motores de plasma pode alterar sua órbita.
por Russell L. Schweickart, Edward T. Lu, Piet Hut e Clark R. Chapman
REBOCADOR ESPACIAL desloca um asteróide em rota de colisão com a Terra, em concepção artística especulativa. O rebocador pode usar motores de plasma para deslocar continuamente o asteróide na direção desejada. Uma série de painéis radiadores dissipam o calor gerado pelo reator nuclear da nave, localizado na seção mais próxima da superfície do asteróide
Em média, numa só noite, mais de 100 milhões de corpos de material interplanetário atravessam a atmosfera terrestre. Felizmente, a maioria desses componentes de asteróides e cometas não são maiores que pedregulhos. Assim, a soma desses 100 milhões de pequenos objetos não vai além de umas poucas toneladas. A atmosfera da Terra é suficientemente densa para vaporizar a maioria desses intrusos. Geralmente os restos cruzam o céu noturno sem causar dano, deixando uma trilha brilhante conhecida popularmente como "estrelas cadentes".Quando objetos maiores entram na atmosfera, não se vaporizam, mas explodem. Em janeiro de 2000, por exemplo, um bloco de 2 a 3 metros de diâmetro explodiu sobre o território canadense de Yukon, com potência equivalente de 4 a 5 mil toneladas de dinamite. Corpos maiores produzem explosões mais poderosas, embora sejam menos freqüentes. Em junho de 1908, uma enorme bola de fogo foi vista caindo sobre a região de Tunguska na Sibéria. Ela foi seguida por uma explosão que destruiu mais de 2000 km2 de florestas. O consenso entre os cientistas é que um asteróide rochoso de cerca de 60 metros de diâmetro explodiu 6 km acima do solo com potência de aproximadamente 10 milhões de toneladas de dinamite. A onda de choque devastou uma área equivalente à da região metropolitana de Nova York.

Observações recentes de objetos próximos à Terra - asteróides e cometas cujas órbitas em torno do Sol cruzam a órbita da Terra - sugerem que a chance de ocorrer um evento semelhante neste século é de cerca de 10%.

Asteróides de 100 metros de largura ou mais são uma ameaça ainda maior porque podem penetrar mais fundo na atmosfera ou atingir a superfície da Terra. Um impacto desse tipo tem probabilidade de 2% de ocorrer antes de 2100 e poderia causar uma explosão equivalente a pelo menos 100 milhões de toneladas de dinamite. Se um asteróide muito grande cair no oceano, o que acontece em cerca de 70% dos impactos, poderá gerar um tsunami inundando cidades costeiras, matando milhões de pessoas.

Eventos desse tipo ocorrem uma vez a cada 40 mil anos mais ou menos. Um asteróide com diâmetro superior a 1 km poderia atingir a Terra com energia equivalente a 100 bilhões de toneladas de dinamite, superior à energia liberada por todas as armas nucleares existentes. Impactos dessas proporções são capazes de varrer a humanidade da superfície da Terra e existe uma chance talvez de 1 em 5 mil de que essa colisão ocorra ainda neste século.
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Russell L. Schweickart, Edward T. Lu, Piet Hut e Clark R. Chapman Em outubro de 2002, RUSSELL L. SCHWEICKART, EDWARD T. LU, PIET HUT E CLARK R. CHAPMAN constituíram a Fundação B612, um grupo sem fins lucrativos dedicado a desenvolver e demonstrar a capacidade de desviar asteróides da Terra. Schweickart, presidente do conselho da fundação, já foi astronauta da Nasa. Lu, presidente da fundação, é atualmente o astronauta que enviou por e-mail sua contribuição para este artigo, enquanto estava a bordo da Estação Espacial Internacional. Hut é professor do Institute for Advanced Study em Princeton, Nova Jersey.
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