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Reportagem |
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| edição 64 - Setembro 2007 |
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| O sentido elétrico dos Tubarões |
| Um detector surpreendentemente sensível de campos elétricos ajuda o tubarão a mirar a presa |
| por R. Douglas Fields |
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BRANDON COLE |
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| TUBARÃO-LIMÃO morde um peixe azarado |
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Uma barbatana ameaçadora veio à tona, cortando o mar em nossa direção. Um grande tubarão-azul – 3 metros de comprimento – vinha como um torpedo atrás do cheiro de sangue. Minha esposa Melanie e eu vimos três grandes tubarões rodearem nossa baleeira de 7 metros. De repente, um focinho azul-prateado atravessou um buraco quadrado, no convés do barco. “Cuidado!”, gritou Melanie. Recuamos instintivamente, mas não corríamos perigo real. O tubarão exibiu seu “sorriso” e deslizou de volta ao mar.
Atraímos os tubarões despejando sangue no oceano, mas o que nos interessava não era sua conhecida paixão pela substância, mas seu misterioso “sexto sentido”. Pesquisas em laboratório demonstraram que os tubarões conseguem sentir campos elétricos extremamente fracos – como os produzidos pelas células animais em contato com a água do mar. Mas como eles usam esse sentido singular precisa, ainda, ser provado. Estávamos no barco para tentar descobrir.
Até os anos 70, os cientistas nem mesmo suspeitavam que tubarões fossem capazes de perceber campos elétricos fracos. Hoje sabemos que essa eletrorrecepção os ajuda a encontrar alimento e pode funcionar mesmo quando as condições ambientais tornam os cinco sentidos comuns praticamente inúteis. Ela funciona em água turva, escuridão total e mesmo quando a presa se esconde sob a areia.
Meus colegas e eu agora estamos investigando a base molecular dessa habilidade, enquanto outros buscam descobrir como o órgão sensorial se forma durante o desenvolvimento, e se nossos próprios ancestrais vertebrados eram capazes de detectar campos elétricos antes de deixar o mar. Mas todo esse trabalho ainda é preliminar. Aqui descrevo como os pesquisadores descobriram a eletrorrecepção nos tubarões e sua importância para uma caçada bem-sucedida. |
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 | R. Douglas Fields Realizou seu mestrado no Moss Landing Marine Labs e seu doutorado em biologia oceanográfica no Scripps Institution of Oceanography. É neurobiólogo do National Institutes of Health. Em seus estudos sobre tubarões, ele conta com a colaboração da esposa, Melanie Fields, professora de biologia do ensino médio. Fora do trabalho, Fields passa seu tempo escalando, mergulhando e montando guitarras. Este é seu terceiro artigo para a SCIENTIFIC AMERICAN. Multimídia Veja o infográfico animado dos sentidos do tubarão durante a caçada. http://www2.uol.com.br/sciam/multimidia/campos_eletricos.html |
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