Reportagem
  
edição 44 - Janeiro 2006
Onda de Mudança
Um ano depois da trágica devastação causada pelo tsunami no oceano Índico, os cientistas estão mais bem equipados para prever essas ondas monstruosas.
por Eric L. Geist, Vasily V. Titov e Costas E. Synolakis
No dia 26 de dezembro de 2004, uma série de ondas devastadoras atacou o litoral de diversas localidades no oceano Índico, causando o maior número de mortes já documentado após um tsunami. As águas dizimaram cidades e vilas inteiras, matando mais de 225 mil pessoas em poucas horas e deixando pelo menos 1 milhão de desabrigados.

A tragédia chamou a atenção para um fato importante: com a explosão demográfica nas regiões costeiras do mundo inteiro, os tsunamis representam um perigo maior do que nunca. Ao mesmo tempo, este episódio foi o mais bem documentado da história - abrindo uma oportunidade única para aprendermos como evitar catástrofes semelhantes no futuro. Vídeos gravados por turistas mostraram a água lamacenta engolindo hotéis, e satélites mediram o tamanho das ondas se propagando em alto-mar. Essas e outras informações mudaram de muitas maneiras o que os cientistas sabiam sobre o fenômeno.

O tsunami no Índico, por exemplo, que surgiu de um local antes considerado incapaz de gerar ondas gigantes, convenceu pesquisadores a aumentar sua lista de áreas com potencial perigoso. As observações também forneceram o primeiro teste completo para simulações de computador que prevêem onde um tsunami acontece e como se comporta quando chega à costa. Mais do que isso, o evento revelou que as complexidades sutis de um terremoto exercem influência de força impressionante sobre o tamanho e forma de um tsunami. Os modelos aprimorados que resultaram dessas descobertas devem ser aproveitados nos novos sistemas de monitoramento e alerta.

Antes da Grande Onda
Há tempo os pesquisadores sabem que os locais onde quase todos os terremotos geradores de tsunami surgem são zonas de subducção.
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