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| O casamento de Arnolfini, pintado em óleo sobre madeira por Jan van Eyck em 1434 |
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Quando pensamos na grandiosa trajetória da pintura ocidental, observamos um fenômeno muito interessante no despertar do Renascimento.
Até cerca do ano de 1425, a maioria das imagens era bastante estilizada, até mesmo esquemática; mas, a partir de então, podem ser vistas pinturas que apresentam um realismo quase fotográfico. Por exemplo, O casamento de Arnolfini, pintado pelo mestre do início do Renascimento Jan van Eyck (1390?-1441), revela tridimensionalidade, presença, individualidade e profundidade psicológica não encontradas em obras anteriores.
Pela primeira vez, os retratos realmente se parecem com as pessoas reais. O que teria ocorrido? Procurando explicar o surgimento dessa extraordinária nova forma de arte, ou ars nova, como era chamada, o celebrado artista contemporâneo David Hockney propôs uma teoria corajosa e controversa. Ele afirmou que as pinturas renascentistas causam a impressão de realidade - possuindo o que ele chama de "imagem óptica" - porque os artistas usavam lentes e espelhos para projetar imagens sobre telas ou superfícies similares, traçando contornos a partir dessas projeções. Essa teoria é apresentada de maneira mais completa no livro escrito por Hockney, Secret knowledge: Rediscovering the lost techniques of the old masters, de 2001.
É fato conhecido que nos séculos XVIII e XIX alguns pintores faziam uso de projeções ópticas sobre tela. Porém, a teoria de Hockney adianta o início dessa técnica em 250 anos. E tal é a importância desses instrumentos e técnicas ópticos para sua teoria que o artista afirma que a história da arte a partir daquela época está intimamente ligada à própria história da óptica.
A fim de examinar essa teoria, outros acadêmicos e eu utilizamos técnicas ópticas e de imagem computadorizada para estudar dois quadros de van Eyck que Hockney e seu colaborador, Charles Falco, físico da Universidade do Arizona, citam como evidência. |