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Reportagem |
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| edição 84 - Maio 2009 |
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| Parceiro de Charles Darwin |
| Pesquisador alemão Fritz Müller, naturalizado brasileiro, em longa correspondência com Darwin, forneceu evidências empíricas da consistência da seleção natural |
| por Margherita Anna Barracco e Cezar Zillig |
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CORTESIA DO MUSEU FRITZ MÜLLER, FLORIANÓPOLIS |
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| FASCINADO POR BOTÂNICA E ZOOLOGIA de invertebrados, Müller desenvolveu pesquisas de ponta no litoral de Santa Catarina, com resultados transmitidos a Darwin, com quem nunca teve contato pessoal. Trabalhos sempre acompanhados de ilustrações detalham estudos de botânica, à esquerda, e mimetismo de borboletas, conhecido como mimetismo mulleriano. |
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[continuação]
Mudança para o Brasil Em 1852, aos 30 anos, Müller emigra com sua família (esposa e filha de nove meses) e um irmão da Alemanha para a recém-fundada Colônia de Blumenau, onde vive por 45 anos, até sua morte em 1897. Nos quatro primeiros anos em que viveu na mata virgem de Blumenau ajudou a construir a colônia, trabalhando na enxada e no machado como simples colono, apesar de sua privilegiada formação acadêmica. Durante esse período pesquisou fauna e flora, relacionou-se com os índios xoklengs e excepcionalmente atuou como médico, pois sua vocação era de naturalista. Sentia-se muito feliz com sua nova opção de vida no que chamava de sua segunda pátria, e nunca mais retornou à Alemanha.
Em 1855 Müller instalou-se com a família na casa em estilo enxaimel que construiu com suas próprias mãos e que hoje abriga o museu de ecologia que leva seu nome.
Fritz Müller estudou e descreveu vários grupos zoológicos, principalmente invertebrados marinhos. Tinha um talento incomum para o desenho e suas descrições eram sempre permeadas de ilustrações de incrível detalhamento. Em Desterro estabelece correspondência com várias eminências científicas da época, destacando-se sua extensa e contínua correspondência com Charles Darwin que se estende por 17 anos, até a morte do naturalista inglês em 1882. Foi em Desterro que F. Müller atingiu reconhecimento na comunidade científica internacional sendo conhecido por Fritz Müller – Desterro, codinome proposto por Ernst Haeckel (pai do termo Ecologia), para distingui-lo de outros notáveis homônimos alemães.
Em 1861, Fritz Müller recebeu um exemplar do livro A origem das espécies de Charles Darwin. Ao ler a obra sente-se identificado com as idéias de Darwin. Por ser ateu convicto, sua mente não apresentava nenhuma restrição ou resistência às concepções de Darwin, recebendo-as com natural abertura e aceitação. Inicialmente, pensa em publicar algumas observações gerais em favor da teoria, mas, em seguida, considerou que a melhor prova seria testá-la no campo, com observações experimentais com seres vivos, em vez de restringir-se a discussões teóricas. |
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Margherita Anna Barracco e Cezar Zillig Margherita Anna Barracco é professora titular de biologia celular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, onde trabalha com imunologia de invertebrados. Cezar Zillig. Médico neurocirurgião em Blumenau, Santa Catarina, tem várias obras publicadas sobre Fritz Müller. É o caso de Dear Mr. Darwin: a intimidade da correspondência entre Fritz Müller e Charles Darwin; Fritz Müller: reflexões biográficas (em coautoria); Fritz Müller, meu irmão. |
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