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Reportagem |
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| edição 84 - Maio 2009 |
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| Parceiro de Charles Darwin |
| Pesquisador alemão Fritz Müller, naturalizado brasileiro, em longa correspondência com Darwin, forneceu evidências empíricas da consistência da seleção natural |
| por Margherita Anna Barracco e Cezar Zillig |
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CORTESIA DO MUSEU FRITZ MÜLLER, FLORIANÓPOLIS |
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| MESMO LONGE DOS PRINCIPAIS centros de pesquisa científica, Fritz Müller não só acompanhou trabalhos de fronteira como deu suas próprias contribuições, tirando partido de infra-estrutura quase caseira. O microscópio que utilizou para pesquisas integra acervo do museu que leva seu nome, em Santa Catarina. |
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[continuação]
Para testar a teoria darwiniana Müller escolheu os crustáceos, por ser um grupo muito diversificado e abundante no litoral de Santa Catarina e também por sua taxonomia já ser bem estabelecida na época. F. Müller postulou que se a teoria de Darwin estivesse correta seria possível demonstrar que os diversos táxons (grupos) de crustáceos teriam se separado uns dos outros, a partir de um ancestral comum, e foram adquirindo características novas em fases sucessivas de seu desenvolvimento (ontogênese), que seriam fixadas e/ou eliminadas pela seleção natural.
Suporte Observacional Em seu estudo pioneiro com crustáceos Müller realizou uma série de observações que culminaram com o descobrimento de muitos fatos novos, principalmente no que se refere ao seu desenvolvimento. O fruto desse longo e minucioso estudo resultou num livro de excepcional riqueza de observações originais Für Darwin (Pró-Darwin). O livro foi publicado em Leipzig, Alemanha, em 1864 (por W. Engelmann) e ajudou a propagar e defender a teoria darwiniana, que tinha suscitado forte reação contrária naquele país. A tradução de Für Darwin para o português foi feita em 1907-08 na revista Kosmos do Rio de Janeiro (versão incompleta) e mais recentemente (1990) uma versão completa foi empreendida por Hitoshi Nomura (Fundação Catarinense de Cultura e Departamento Nacional da Produção Mineral, edição esgotada).
Esse denso e original ensaio inclui um número extraordinário de observações sobre crustáceos, abrangendo as diferentes adaptações das espécies de ambiente marinho que migraram para água doce e ambiente terrestre, a assimetria bilateral dos membros, o dimorfismo sexual, o polimorfismo intra-específico e a morfologia e desenvolvimento das diferentes formas larvais. Tudo com ilustrações à mão livre.
Ao longo de 12 capítulos, o livro trouxe subsídios preciosos e decisivos a favor da teoria darwiniana. Como conclusão às suas observações Müller escreve: “Durante o período crucial da dúvida, que não foi curto, quando o fiel da balança oscilava diante de mim em perfeita incerteza entre os prós e os contras [à teoria darwiniana], e quando todo e qualquer fato que levasse a uma pronta decisão teria sido bem-vindo, nunca tive o menor problema com qualquer contradição surgida entre as conseqüências trazidas para a classe dos crustáceos pela teoria de Darwin. Pois nunca as encontrei, nem na época, nem depois. Aquelas que havia encontrado dissiparam-se após uma consideração mais profunda, ou converteram-se em sustentáculos da doutrina darwinista”. |
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Margherita Anna Barracco e Cezar Zillig Margherita Anna Barracco é professora titular de biologia celular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, onde trabalha com imunologia de invertebrados. Cezar Zillig. Médico neurocirurgião em Blumenau, Santa Catarina, tem várias obras publicadas sobre Fritz Müller. É o caso de Dear Mr. Darwin: a intimidade da correspondência entre Fritz Müller e Charles Darwin; Fritz Müller: reflexões biográficas (em coautoria); Fritz Müller, meu irmão. |
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