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Reportagem |
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| edição 72 - Maio 2008 |
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| Perspectivas para a regeneração de membros humanos |
| O progresso rumo à regeneração de partes importantes do organismo, como acontece com a salamandra, pode revolucionar o tratamento de amputações e de ferimentos graves |
| por Ken Muneoka, Manjong Han e David M. Gardiner |
[continuação]
Localização, Localização, Localização
Experiências minimalistas com membros acessórios deixaram evidente que a presença dos fibroblastos por si não é garantia de regeneração, pois os fibroblastos estão presentes no local de uma ferida comum que não dá origem a um novo membro. Os fibroblastos do lado oposto do membro é que são essenciais. Essa descoberta mostra a importância da posição celular no desencadeamento da resposta regenerativa. Num embrião a seqüência de eventos no desenvolvimento de membros sempre começa com a formação da base dos membros (do ombro ou do quadril), seguida da formação progressiva de estruturas mais distais até o final do processo com a conclusão dos dedos. Na regeneração da salamandra, na outra mão (ou pé), o local da amputação pode ser qualquer um ao longo do comprimento do membro e, seja qual for o local da ferida, apenas as partes amputadas dos membros se regeneram.
A variação na resposta mostra que as células no limite da ferida da amputação provavelmente “sabem” onde elas se encontram em relação ao membro como um todo. Essa informação sobre a posição é o que controla os processos celulares e moleculares que garantem a reposição perfeita da porção ausente dos membros, e ela deve estar gravada na atividade de vários genes. Determinar quais genes estão ativos durante esses processos contribui para esclarecer os mecanismos que controlam esse estágio de regeneração.
Embora um grande número de genes esteja encarregado de instruir as células durante o desenvolvimento embrionário – sobre seu posicionamento nos membros –, a atividade de um subgrupo de genes chamados Hox é fundamental. Na maioria dos animais as células dos brotos de membros em desenvolvimento usam o código orientador fornecido pelos genes Hox para formar o membro, mas depois, ao se diferenciarem em tecidos mais especializados, elas “esquecem” sua origem. Já os fibroblastos dos membros de uma salamandra adulta mantêm a memória de seu sistema de informação e conseguem acessar novamente o código orientador Hox no processo de regeneração de membros.
Durante a regeneração os fibroblastos carregam essa informação consigo ao migrar pela ferida para começar a formar o blastema, e, uma vez nesse local, as células se comunicam para avaliar a extensão do ferimento. O conteúdo desse diálogo é ainda um mistério, mas sabe-se que um dos seus resultados é que os membros em regeneração primeiro estabelecem seus limites, incluindo o contorno da mão ou do pé, para que as células possam usar sua informação orientadora para preencher as partes faltantes entre o plano de amputação e os dedos.
Como os membros são formados em sua maioria por músculos e ossos, também nos interessa desvendar a origem da matéria-prima para formá-los e o mecanismo que controla sua formação. Quando a resposta regenerativa é iniciada, um dos momentos iniciais vitais inclui um processo ainda pouco compreendido chamado diferenciação. O termo geralmente é empregado para descrever a reversão de uma célula de um estado adulto especializado para um estado embrionário mais primitivo que possibilita sua multiplicação, servindo como progenitora de um ou mais tipos de tecidos. |
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| Ken Muneoka, Manjong Han e David M. Gardiner integram um grupo de pesquisa multiinstitucional empenhado em regenerar membros de mamíferos. Seu grupo, liderado por Muneoka, é um dos dois únicos a receber uma verba multimilionária da Agência Americana de Defesa de Projetos de Pesquisa Avançada para buscar a regeneração de membros humanos. Muneoka é professor, e Han é professor-assistente de pesquisa do departamento de biologia celular e molecular da Tulane University. Gardiner é biólogo pesquisador do departamento de biologia celular e molecular da University of Califórnia em Irvine, onde também Muneoka recebera uma bolsa de estudos para completar seu pós-doutorado. Muneoka surpreendentemente voltaria a trabalhar lá quando o furacão Katrina o forçou a realocar sua família e equipe de pesquisa de Nova Orleans para Irvine, por cinco meses. |
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