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Reportagem |
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| edição 75 - Agosto 2008 |
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| Plantio Direto, uma Revolução na Preservação |
| A antiga prática de revolver a terra antes de semear uma nova safra leva à degradação do solo cultivável. Por isso, muitos agricultores já admitem que sistema de aragem é coisa do passado |
| por David R. Huggins e John P. Reganold |
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ANDY ANDERSON |
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| JOHN AESCHLIMAN, o pioneiro em plantio direto nos Estados Unidos, começou a implantar a técnica em 1974, motivado pela erosão do solo que estava atingindo áreas em declive, em Palouse, no estado de Washington, onde está sua fazenda. |
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John Aeschliman retira uma pá cheia de terra de sua fazenda de 1.600 hectares (ha) na região de Palouse, no leste do estado de Washington. A terra escura se esfarela com facilidade, revelando uma estrutura granulosa e uma abundância de matéria orgânica que facilita o crescimento das raízes. Também se vê uma grande quantidade de minhocas, outro sinal de solo saudável.
Há 34 anos havia poucas minhocas, ou nenhuma, numa pá de terra de sua fazenda. Naquela época, Aeschliman arava o campo antes de cada plantio, enterrando os restos da colheita anterior e preparando o solo para a próxima semeadura. Mas a aração da terra estava impondo um alto custo a Palouse, e seu solo famoso pela fertilidade estava sendo erodido a uma taxa alarmante. Convencido de que deveria existir uma forma melhor de cultivar a terra, Aeschliman decidiu experimentar, em 1974, um método inovador conhecido como plantio direto.
A maioria dos fazendeiros preparava a terra para novas semeaduras utilizando o arado. A prática de revolver o solo antes de plantar encobre os restos da colheita anterior, adubo animal e ervas daninhas e também areja e aquece o solo. Mas também pode deixá-lo vulnerável à erosão pelo vento e água. A aração é a razão básica da degradação da terra agricultável, um dos mais sérios problemas ambientais do mundo todo e uma ameaça à produção de alimentos e à sobrevivência rural, particularmente em áreas pobres e densamente povoadas do mundo em desenvolvimento. Já no final dos anos 70, em Palouse, a erosão havia removido 100% da camada superficial do solo de 10% da terra cultivável, além de outros 25% a 75% da superfície do solo de cerca de 60% da região. Além disso, a preparação do solo pode facilitar o escoamento de sedimentos, fertilizantes e pesticidas para os rios, lagos e oceanos. O cultivo por meio de plantio direto, por sua vez, procura minimizar a degradação do solo. Os adeptos desse tipo de agricultura deixam os resíduos da colheita no campo, que agem como uma forragem que protege o solo da erosão e melhora a produtividade da terra. Para espalharem as sementes, os agricultores utilizam máquinas especialmente projetadas para romper essa camada de resíduos e chegar até o solo fértil abaixo, onde as sementes podem germinar e brotar numa nova plantação. |
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| David R. Huggins e John P. Reganold David R. Huggins é especialista em solo da Unidade de Pesquisa em Conservação da Água e Gerenciamento de Terras, do Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em Pullman, Washington. É também especialista em sistemas de culturas de conservação e seus efeitos no fluxo e ciclos do carbono e nitrogênio do solo. John P. Reganold é professor titular de ciências do solo da Washington State University, em Pullman, e especialista em agricultura sustentável. |
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