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Reportagem |
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| edição 62 - Julho 2007 |
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| Por trás da anestesia |
| Saber por que os anestésicos atuais são tão potentes e às vezes perigosos levará a uma nova geração de fármacos específicos e mais seguros, sem efeitos colaterais indesejáveis |
| por Beverley A. Orser |
[continuação]
Durante a maior parte do século XX, acreditava-se que os anestésicos agiam pela desorganização dos componentes lipídicos das membranas celulares. A maioria dos anestésicos são compostos altamente lipossolúveis com estruturas químicas bem distintas, que variam de simples gases inertes a esteróides complexos. A enorme diversidade física e química apoiava a idéia de que os anestésicos devem operar de alguma maneira não-específica para deprimir o funcionamento neuronal. Pesquisas modernas, contudo, revelam que eles interagem com muitos tipos diferentes de proteínas específicas: os receptores, encontrados na superfície de células nervosas. No entanto, famílias de receptores contêm versões ligeiramente diferentes que tendem a predominar em áreas diversas do sistema nervoso central. A presença de subtipos particulares de receptores apenas em determinadas subpopulações de células determinará, portanto, quais delas são influenciadas por um anestésico.
Assim, os estudos atuais se concentram em identificar quais variantes de receptor são os alvos dos anestésicos, e compreender como as drogas interagem com os receptores para alterar a função da célula e como essas alterações celulares produzem os “sintomas” da anestesia.
Sinalizando o Silêncio
Várias categorias de proteínas receptoras são encontradas na superfície de neurônios, mas as ativadas pelos neurotransmissores naturais são cruciais no controle da comunicação ao longo das “linhas telefônicas” neurais. As moléculas neurotransmissoras transmitem mensagens entre neurônios em pontos de contato denominados sinapses. Para tanto, elas partem do chamado neurônio pré-sináptico, através de uma pequena lacuna, e vão se ligar aos receptores na membrana celular do neurônio pós-sináptico. Quando um número suficiente de moléculas neurotransmissoras aciona os receptores corretos, a membrana celular pós-sináptica gera um potencial elétrico que percorre toda a sua extensão até o neurônio seguinte em sua rede. Glutamato, serotonina, noradrenalina e acetilcolina são alguns dos neurotransmissores amplamente estudados por seu papel na promoção dessa sinalização por todo o sistema nervoso central.
No entanto, o neurotransmissor ácido gama-aminobutírico (GABA) chamou a atenção por sua habilidade de bloquear a comunicação neural. O GABA é um neurotransmissor inibitório: ajuda a manter o equilíbrio geral do sistema nervoso deprimindo a capacidade dos neurônios de responder a mensagens excitatórias de outras células. Assim, acredita-se que o GABA desempenhe um papel central nas ações dos anestésicos. |
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| Beverley A. Orser É professora de anestesiologia e fisiologia da University of Toronto e anestesiologista do hospital universitário, no Sunnybrook Health Sciences Center, onde também é pesquisadora-chefe em anestesia. Como clínica e pesquisadora, Orser concentra-se na melhoria da segurança dos pacientes. Com o estudo dos mecanismos moleculares de base dos anestésicos, espera promover o desenvolvimento de novos agentes e tratamentos relacionados com efeitos controlados de maneira mais sofisticada . Orser também é consultora da empresa farmacêutica Merck, onde desenvolveu o adjuvante do sono Gaboxadol. |
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