Reportagem
  
edição 62 - Julho 2007
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Por trás da anestesia
Saber por que os anestésicos atuais são tão potentes e às vezes perigosos levará a uma nova geração de fármacos específicos e mais seguros, sem efeitos colaterais indesejáveis
por Beverley A. Orser
O grande impacto da anestesia
Os efeitos desejáveis e indesejáveis dos anestésicos originam-se de seu poder de suprimir a atividade neuronal por todo o sistema nervoso central, que abrange o cérebro e a medula espinhal e controla a freqüência cardíaca e a respiração. Uma pesquisa atual tenta identificar com exatidão as estruturas e regiões neurais cujo funcionamento alterado produz cada uma das propriedades definidoras do estado de anestesia.

Sedação
Excitabilidade reduzida, evidenciada por tempos de resposta mais longos, fala arrastada e diminuição de movimento. A atividade neuronal cai em todas as áreas corticais cerebrais.

Inconsciência(também chamada de hipnose)
Comprometimento da percepção dos estímulos e das respostas a eles. A depressão cortical é mais profunda que na sedação. A atividade no tálamo, área importante para a integração dos processos cerebrais, também cai significativamente.

Imobilidade
Ausência de movimento em resposta a um estímulo, como sacudidela ou calor. A supressão da atividade neuronal da medula espinhal é a principal causa dessa paralisia temporária, embora o cerebelo, uma área de controle motor, também possa contribuir.

Amnésia
Ausência de lembrança do período em anestesia. Muitas estruturas cerebrais envolvidas na formação da memória, entre elas o hipocampo, a amígdala, o córtex pré-frontal e as áreas sensoriais e motoras, exibem alterações induzidas por anestésico.

Outros
O relaxamento muscular e a ausência de dor (analgesia) às vezes são incluídos nas definições do estado de anestesia e amplamente atribuídos à depressão da atividade da medula espinhal.
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Beverley A. Orser É professora de anestesiologia e fisiologia da University of Toronto e anestesiologista do hospital universitário, no Sunnybrook Health Sciences Center, onde também é pesquisadora-chefe em anestesia. Como clínica e pesquisadora, Orser concentra-se na melhoria da segurança dos pacientes. Com o estudo dos mecanismos moleculares de base dos anestésicos, espera promover o desenvolvimento de novos agentes e tratamentos relacionados com efeitos controlados de maneira mais sofisticada . Orser também é consultora da empresa farmacêutica Merck, onde desenvolveu o adjuvante do sono Gaboxadol.
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