Reportagem
  
edição 34 - Março 2005
Procura Indolor
Inundados por opções e respostas supérfluas, os usuários devem se beneficiar em breve de mecanismos de busca aperfeiçoados e personalizados
por Javed Mostafa
O bombardeio de informações da internet será reduzido e concentrado devido a novos mecanismos de busca capazes de levar em conta o contexto - como os interesses do usuário a longo prazo, sua localização ou outros fatores.
Em menos de uma década, os mecanismos de busca da internet mudaram totalmente a maneira como as pessoas coletam informações. Já não precisamos ir à biblioteca para procurar algo. Em vez disso, podemos acessar documentos digitando palavras-chave no teclado do computador. Agora que o Google tornou-se sinônimo de pesquisa, os mecanismos de busca estão prontos para uma série de atualizações que prometem melhorar ainda mais o modo como encontramos o que precisamos.

Sites de busca novos estão aperfeiçoando a qualidade dos resultados, indo mais fundo no depósito de material on-line, ordenando e apresentando melhor esses resultados e rastreando os interesses a longo prazo dos usuários para poder refinar os novos pedidos de informação. No futuro, os mecanismos de busca ampliarão também os horizontes de conteúdo, fazendo mais do que simplesmente processar consultas de palavras-chave digitadas numa caixa de texto. Eles serão capazes de levar em conta automaticamente a localização do usuário – por exemplo, indicando no assistente digital pessoal (PDA) sem fio o restaurante mais próximo. Sistemas novos também localizarão mais rápido a imagem certa, comparando esboços desenhados pelo usuário com formas semelhantes. Eles serão até capazes de informar o nome daquela música parcialmente esquecida se o usuário cantarolar um trecho.

Os mecanismos de busca atuais têm suas raízes num campo de pesquisa denominado recuperação de informações, um tema da computação cujas origens remontam a cerca de 50 anos atrás. Num artigo da SCIENTIFIC AMERICAN de setembro de 1966, “Information storage and retrieval” (“Armazenamento e recuperação de informações”), Ben Ami Lipetz descreveu como as tecnologias de informação mais avançadas da época só conseguiam realizar tarefas administrativas ou rotineiras. Ele então concluiu que o acesso às informações só avançaria substancialmente quando os pesquisadores compreendessem melhor como os humanos processam informações e, depois, dotassem as máquinas de capacidades semelhantes. É claro que os computadores ainda não atingiram tal nível de sofisticação, mas estão levando mais em conta os interesses, hábitos e as necessidades dos usuários ao realizar as tarefas.

Páginas Pré-filtradas
Antes de discutir novos avanços nesse campo, convém examinar como funcionam os mecanismos de busca atuais. O que acontece quando alguém lê na tela que o Google examinou bilhões de documentos em, digamos, 0,32 segundo? Uma vez que associar a chave de busca de um usuário a uma página individual da internet levaria tempo demais, o sistema se prepara antes de o usuário realizar uma busca.
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Javed Mostafa É professor adjunto de ciência da informação da Universidade de Indiana. É um dos editores da ACM Transactions on Infornation Systems e dirige Laboratório de Pesquisa em Informática Aplicada em Indiana.
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