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Reportagem |
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| edição 63 - Agosto 2007 |
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| Quando uma pessoa não é XX nem XY |
| Eric Vilain discute a biologia e a política para indivíduos de gênero ambíguo, argumentando que termos como “hermafrodita” e “intersexo” são vagos e prejudiciais |
| por Sally Lehrman |
[continuação]
O que a sua pesquisa pode afirmar sobre o desenvolvimento do sexo? Reconhecemos novos mecanismos moleculares de determinação do sexo. Em especial, identificamos genes, como o WNT4, ditos feminino-específicos e ausentes nos masculinos, e isso mudou o paradigma de que, para produzir o sexo masculino, bastava ativar um monte de genes pró-masculinos. Na verdade, é mais complicado.
Demonstramos que, para produzir o sexo masculino, é preciso sim ativar esse monte de genes, mas também inibir alguns genes antimasculinos. Trata-se de uma rede mais complicada, uma dança delicada entre moléculas pró-masculinas e antimasculinas. E essas moléculas antimasculinas podem ser pró-femininas, apesar de isso ser mais difícil de provar. É como se fosse estivesse descrevendo uma mudança da visão predominante de que o desenvolvimento feminino seria um “defeito” das vias moleculares para ativar as vias pró-masculinas e antifemininas. Há também as vias pró-femininas e antifemininas? A definição moderna do sexo começou no final da década de 40, em 1947, quando o fisiologista francês Alfred Jost afirmou que o testículo é sexo-determinante. Acatou-se a presença do testículo como característica do sexo masculino, a ausência do sexo feminino. O ovário não é sexo-determinante, e não influencia o desenvolvimento da genitália externa. Em 1959, os cariótipos das síndromes de Klinefelter [um homem que é XXY] e de Turner [a mulher possui apenas um X] foram descobertos. A partir dai ficou claro que em seres humanos é a presença ou a ausência do cromossomo Y que determina o sexo. Todas as pessoas com síndrome de Klinefelter que têm um Y são do sexo masculino, enquanto que as com síndrome de Turners, que não possuem Y, são do sexo feminino. Assim, o determinante não é a dosagem ou o número de cromossomos Xs, mas a presença ou a ausência do cromossomo Y. Mediante a combinação dos dois paradigmas, encontrou-se a base molecular que provavelmente é um fator, um gene, um fator testículo-determinante, e esse é o gene sexo-determinante. Assim, as pesquisas indicam o caminho para o fator testículo-determinante. No entanto, consideramos que além do pró-testículo haja o envolvimento de outros fatores como WNT4, DAX1, cuja função é de contrabalançar a via masculina. Por que os genes como WNT4 e outros são necessários para o desenvolvimento do sexo? Não sei o porquê. Provavelmente, eles fazem um ajuste em nível molecular. Porém, esses genes antimasculinos podem ser responsáveis pelo desenvolvimento do ovário. O WNT4 provavelmente é um fator também, pois é um marcador ovariano. Mas se houver um excesso de WNT4, WNT4 demais em um XY, há a feminilização deste indivíduo. |
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