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Reportagem |
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| edição 63 - Agosto 2007 |
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| Quando uma pessoa não é XX nem XY |
| Eric Vilain discute a biologia e a política para indivíduos de gênero ambíguo, argumentando que termos como “hermafrodita” e “intersexo” são vagos e prejudiciais |
| por Sally Lehrman |
[continuação]
Basicamente meu ponto de vista é a ciência, separando a política da medicina. Muitas vezes, alguns cirurgiões são dominados pela impressão que uma minoria de ativistas querem prejudicar seu trabalho.
Os indivíduos intersexo são diferentes dos membros de outras comunidades, como gays e lésbicas, por exemplo, que a priori não têm nenhuma questão médica, nem diferença no desenvolvimento de qualquer órgão, nem precisam de acompanhamento médico quando são recém-nascidos. É claro, que alguns indivíduos intersexo são gays ou lésbicas, mas não é regra. Por que foi preciso que os indivíduos intersexo tomassem uma posição ativista de uma vez só? Porque de outra maneira nada mudaria na prática; a conferência do consenso não aconteceria. Foi uma resposta ao ativismo. Eles colocaram o problema em pauta, e exigiram que a comunidade médica tratasse a questão que era rara demais para ser desconsiderada. Alguns classificaram o novo termo como um revés político, pois transforma em enfermidade o que poderia ser visto como uma variação humana normal. Em primeiro lugar, podemos classificar várias coisas diferentes de variantes normais, como o câncer, por exemplo. É claro que, no final, ele mata você, mas ainda é uma variante. Podemos brincar com essas palavras, mas na prática, várias dessas "variantes normais" trazem riscos à saúde, que requerem consultas médicas por uma série de questões enfrentadas por pacientes intersexo: fertilidade, câncer (o testículo dentro do corpo pode aumentar o risco de câncer), e saúde sexual. Então, pode-se chamar uma complicação de “variante normal” apenas por uma questão política. Prefiro o termo “transtorno” porque espero que todas as regras, os conhecimentos e as práticas da medicina moderna sejam aplicados à área do intersexo; e que ela não seja uma exceção. Dizer que “na verdade não é bem uma doença”, então os médicos podem fazer o que bem entenderem – afinal, é uma variante normal.
Houve controvérsia sobre a conduta a ser tomada pelos cirurgiões imediatamente na decisão do sexo de uma criança e corrigir rapidamente a ambigüidade genital. A indicação do consenso sugere cautela em atribuir o gênero rapidamente. Qual é a sua opinião? Acredito na intervenção [cirúrgica] quando comprovado o benefício total do paciente, e não dos seus familiares. Você sabe que a cirurgia é muito usada para ajudar os pais psicologicamente. É uma solução rápida. A criança tem uma aparência diferente, que incomoda a todos, e uma forma de consertar isso é fazer com que a criança fique igual às outras. No entanto, isso não deveria ser parâmetro para uma cirurgia. A aflição psicológica dos pais deve ser tratada por um psicólogo ou psiquiatra, e não pela intervenção cirúrgica da criança. |
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