Reportagem
  
edição 55 - Dezembro 2006
Recuperação de Zonas Mortas
Como é possivel restaurar a vida em mares destruídos pelo crescimento desenfreado de plantas e algas provocado pela ação humana?
por Laurence Mee
Uma foto tirada por satélite do lado oeste do mar Negro
Imagine uma praia cheia de turistas aproveitando o calor do verão. Enquanto as crianças brincam à beira d\\'água, procurando conchas e outros tesouros, animais mortos ou quase mortos começam a se acumular na terra firme. No começo, são apenas alguns peixes lutando para sobreviver, mas depois, surgem grandes quantidades de caranguejos, mariscos, mexilhões e peixes podres. Alertados pelos gritos assustados das crianças, os pais, apreensivos, correm para socorrê-las. Nesse meio-tempo, no horizonte, pescadores frustrados voltam para casa com redes e porões vazios.

Essa não é uma cena de filme de terror. Casos assim ocorreram com freqüência em várias estâncias balneárias do mar Negro, na Romênia e na Ucrânia, nos anos 70 e 80, quando cerca de 60 milhões de toneladas de seres vivos do fundo oceânico (seres bênticos) morreram. A causa: baixíssimo teor de oxigênio na água em uma faixa de mar onde a única forma de vida possível era a bacteriana.

No seu ápice, em 1990, a "zona morta", localizada no lado norte do mar ao largo da foz do rio Danúbio, cobria uma área do tamanho da Suíça (40 mil km²). Do outro lado do mundo, no golfo do México, ao largo do delta do rio Mississípi, formou-se outra enorme zona morta em meaods da década de 70, que chegou a atingir 21 mil km². Nas duas últimas décadas, casos similares em todo o mundo foram noticiados .

O foco principal de minha pesquisa desde o começo dos anos 90, quando publiquei o primeiro artigo sobre a crise ecológica do mar Negro, vem sendo determinar as causas dessa destruição, como isso poderia ser evitado e o que fazer para restaurar a vida nas áreas atingidas.

A Zona morta do Mar Negro tornou-se evidente quando criaturas marinhas mortas começaram a aparecer no litoral perto da foz do rio Danúbio na década de 70. Acima, peixes mortos se acumulam nas praias do mar Negro com a maré alta. Uma foto tirada por satélite do lado oeste do mar Negro mostra o crescimento acelerado de plantas flutuantes microscópicas decorrente da descarga excessiva de nutrientes no Danúbio
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Laurence Mee é diretor do Instituto Marinho da Universidade de Plymouth, Inglaterra, e também do Centro de Pesquisa de Política Costeira e Marinha, núcleo interdisciplinar da universidade. Oceanógrafo com doutorado pela Universidade de Liverpool, Mee assumiu cargos de pesquisa no Instituto de Ciências Marinhas e Limnologia, no México, e no Laboratório do Meio Ambiente Marinho da AEAI, em Mônaco, e coordenou o Fundo para o Meio Ambiente Mundial das Nações Unidas - Programa do Meio Ambiente do Mar Negro.
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