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Reportagem |
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| edição 30 - Novembro 2004 |
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| Sombras de mundos distantes |
| O satélite eurobrasileiro Corot, com lançamento previsto para 2006, deve ser o primeiro a detectar planetas parecidos com a Terra fora do Sistema Solar e preparar o caminho para a busca de vida em outros locais da galáxia |
| por Reinaldo José Lopes |
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| Concepção artistica do satélite eurobrasileiro Corot |
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No dia 6 de junho de 2006, quando os cientistas da missão Corot observarem o resultado de mais de uma década de trabalho disparar em direção ao céu da Guiana Francesa, é bem possível que um único número fique teimando em atormentar a cabeça deles: 10-4, ou um décimo de milésimo. Essa cifra aparentemente insignificante corresponde, grosso modo, ao enfraquecimento da luz de uma estrela como o nosso Sol quando um planeta do tamanho da Terra passa na frente dela. Detectar eventos do gênero está entre os grandes objetivos do satélite desenvolvido pelo projeto, numa parceria que envolve vários países europeus e o Brasil.
Não é preciso muita reflexão para perceber por que um feito desses seria significativo, e não é só porque ninguém conseguiu tal detecção antes. O primeiro passo para responder a eterna questão sobre o grau de raridade da vida no Universo é encontrar ambientes parecidos com o único lugar no qual ela sabidamente se desenvolveu - o nosso próprio planeta. Como os candidatos para isso dentro do Sistema Solar parecem cada vez menos promissores, o jeito é se voltar para as distâncias interestelares. E, nessa busca, o Corot será pioneiro.
"O Brasil nunca esteve perto de uma aventura dessa natureza", afirma o astrônomo José Renan de Medeiros, do Departamento de Física Teórica e Experimental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). "É uma odisséia parecida com a das grandes navegações, nos anos 1400 e 1500. Estamos em busca de novos mundos no Cosmos." Medeiros atua ao lado do colega Eduardo Janot Pacheco, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, na coordenação da parte brasileira do projeto.
Sob todos os aspectos, unir-se à França (principal membro), Espanha, Bélgica, Alemanha, Áustria e ao Reino Unido tem sido um ótimo negócio. Dos US$ 70 milhões do orçamento do Corot, o Brasil é responsável por US$ 1,5 milhão. "Temos presença nos comitês científicos em pé de igualdade, acesso direto a todos os dados de pesquisa, o que é inestimável, e ganhamos também com a capacitação dos pesquisadores e estudantes envolvidos no projeto", afirma Pacheco. O valor corresponde aos gastos com o desenvolvimento do próprio satélite. Há ainda os gastos com o lançamento, que devem ficar em torno de US$ 10 milhões. |
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| Reinaldo José Lopes nascido em São Carlos, no interior de São Paulo, tem 24 anos e é jornalista científico free-lancer. Já colaborou com a Folha de S.Paulo e com as revistas Superinteressante e Pesquisa Fapesp. Tem interesse especial por evolução (principalmente a humana) e paleontologia. |
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