Reportagem
  
edição 71 - Abril 2008
Somos únicos? Biologia, cultura e humanidade
Embora haja um elo comum entre os seres humanos e toda a biosfera, existem certas peculiaridades, algumas especialmente criadas pelo desenvolvimento da cultura, que nos distinguem dos outros seres vivos. O conhecimento científico nos proporcionou uma idéia mais clara sobre a nossa posição no Universo, e possibilidades inimagináveis há até pouco tempo de manipulação do meio ambiente. É nosso dever contribuir para que esse conhecimento seja aplicado na construção de uma ordem mundial socialmente mais justa
por Francisco M. Salzano
ARTE GLOBO E TABELAS: PAULO CESAR PEREIRA
IMAGENS © ISTOCKPHOTOS : CHIMPANZÉ, FOTO DE JURIE MAREE; GOLFINHO: FOTO DE GRAEME WHITTLE; CRIANÇA: FOTO DE ROBERT CHURCHILL; MENINA AFRICANA: FOTO DE PEETER VIISIMAA
Para desespero dos conservadores o Universo está mudando continuamente. Mas a mudança não é aleatória ou desordenada. Segue padrões específicos, e o termo correto para descrevê-la é evolução. A partir de uma origem determinada desenrola-se toda uma série de eventos concatenados. Eles podem incluir tanto o mundo inorgânico como o orgânico. O postulado básico do conceito de evolução biológica é que todas as formas orgânicas atualmente existentes neste planeta derivaram de um ancestral comum, universal.

Embora ninguém estivesse lá para assistir, o início de tudo deve ter sido uma enorme explosão, ocorrida talvez há 15 bilhões de anos. O termo Big Bang foi primeiramente usado para descrevê-la de forma depreciativa pelo cosmólogo inglês Fred Hoyle (1915-2001), defensor da teoria rival de que o Universo seria estacionário. Mas o termo foi imediatamente adotado pelos adeptos dessa alternativa. O certo é que a grande massa das evidências obtidas até agora são todas favoráveis ao modelo do Big Bang, embora ainda restem muitas perguntas, especialmente sobre o que ocorrerá no futuro.

O cenário atualmente aceito é o de uma expansão espetacular, seguida de mudanças drásticas de temperatura com a formação gradativa dos elementos químicos atuais. A expansão iniciada naquela época continua ainda hoje, devidamente avaliada através da radiação cósmica de fundo. Paulatinamente formaram-se as estrelas e as galáxias e eventualmente o nosso Sistema Solar, há 4,5 bilhões de anos.
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Francisco M. Salzano é professor emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e trabalha em seu departamento de genética. Possui larga experiência em estudos genéticoevolutivos, especialmente da espécie humana, e é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e de quatro outras, nacionais e regionais, incluindo a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
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