Reportagem
  
edição 79 - Dezembro 2008
Sucessos e desafios no combate à aids
Garantia constitucional de saúde como direito da pessoa e obrigação do Estado é fundamental para a compreensão do programa para enfrentar a epidemia de HIV/aids no Brasil
por Francisco Oscar de Siqueira França e José E. Vidal
© Rondon Vellozo/MS
ATIVIDADES DO DIA Internacional do Combate à Aids, em 1o de dezembro de 2007, em frente à estátua do Cristo Redentor, tendo aos pés o símbolo internacional da doença.
A epidemia de aids no Brasil foi documentada a partir do início da década de 80, afetando em seus primeiros anos principalmente homossexuais ou bissexuais com maior nível de escolaridade e pessoas que haviam recebido transfusão de sangue ou hemoderivados. Posteriormente, houve disseminação para os usuários de drogas endovenosas compartilhadas. Estima-se que atualmente 620 mil pessoas vivam com a infecção pelo HIV no Brasil. Essa cifra está longe das estimativas do Banco Mundial, que previam perto de 1,2 milhão de pessoas soropositivas no final da década passada. Aqui, em pouco mais de 27 anos, 474.273 casos de aids foram notificados junto ao Ministério da Saúde, com cerca de 11 mil mortes anualmente e média anual de 34.627 novos casos entre 2000 e 2006. O número de óbitos acumulados, entre 1980 e 2006, foi de 192.709. Com a introdução de terapias anti-retrovirais altamente eficazes (HAART, na sigla em inglês) houve acentuada redução desses casos.

Desde 2000 a prevalência da doença em pessoas de 15 a 49 anos está estabilizada em, aproximadamente, 0,6% dessa faixa etária. Mas a prevalência ainda é elevada para grupos mais vulneráveis, como trabalhadores do sexo, homens que fazem sexo com homens (HSH) e usuários de drogas injetáveis. Nos últimos anos o perfil da epidemia sofreu transformações significativas, caracterizando-se pelos processos de heterossexualização, feminilização, juvenilização, interiorização e pauperização.
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Francisco Oscar de Siqueira França e José E. Vidal Francisco Oscar de Siqueira França, médico infectologista, é assistente da Divisão de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Livre-docente pelo Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da FMUSP. Médico do Hospital Vital Brazil do Instituto Butantan, da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. José E. Vidal, médico Infectologista, é assistente do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e Centro de Referência em DST/aids da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e da Divisão de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.
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