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HAL SAILSBURY Centro de preparação de Materiais, Laboratório Ames |
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| Seção transversal de um fio diboreto de magnésio de 0,14 mm de diâmetro. Ele é 100% denso e composto de grãos pequenos e não orientados, que refletem luz de forma diferente e resultam em cores diversas. Fios como esses são úteis para pesquisas básicas sobre a supercondutividade do material |
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Imagine como alguém se sentiria ao descobrir petróleo jorrando no chão de seu quintal. Uma sensação semelhante de entusiasmo incrédulo tomou conta da comunidade da física do estado sólido nas primeiras semanas de 2001, quando pesquisadores anunciaram que o diboreto de magnésio (MgB2) é supercondutor – conduz eletricidade sem resistência – a tempera¬turas próximas de 40 kelvins.
Esse composto simples era conhecido desde 1950 e era encontrado na prateleira de alguns laboratórios havia décadas por motivos triviais, sem que ninguém suspeitasse de seu oculto talento. Embora 40 K (-233ºC) possa parecer um bocado frio, isso é quase o dobro da temperatura em que compostos químicos de metais se tornam supercondutores (23 K para ligas baseadas em nióbio, usadas em pesquisa e na indústria). Uma temperatura de transição nesse nível pode ser obtida por tecnologias bem mais baratas do que aquelas necessárias para provocar a supercondutividade nas ligas de nióbio. Entre as aplicações possíveis estão ímãs supercondutores e linhas de transmissão de força.
Ao contrário dos supercondutores de alta temperatura (materiais de óxido de cobre que superconduzem a temperaturas tão elevadas quanto 130 K), o MgB2 parece ser um supercondutor tradicional, embora uma nova variante. Durante as décadas de busca por supercondutores com temperaturas de transição cada vez maiores, os físicos desenvolveram regras práticas sobre os tipos de elemento que podem ser combinados. Achava-se que 23 K fosse algo próximo da temperatura de transição máxima possível para um supercondutor tradicional, mas o MgB2 derrubou essa noção.
Jun Akimitsu, da universidade Aoyama gakuin, em Tóquio, anunciou a descoberta da supercondutividade do MgB2 em janeiro de 2001. Dois meses depois, cerca de cem pequenas apresentações sobre o tema foram realizadas no encontro anual de março da Sociedade Americana de Física, e mais de 70 trabalhos foram submetidos ao arquivo pré-impressão de artigos científicos arxiv.org. Esse surto de atividade ocorreu, em parte, porque é bastante simples produzir MgB2 relativamente puro, depois que se descobre como. |