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Reportagem |
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| edição 100 - Setembro 2010 |
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| Um hacker na sua máquina |
| Como se vírus trazidos por programas de computador já não fossem uma grande dor de cabeça, os microchips vitais para cada aspecto do mundo digital são vulneráveis a adulterações na fábrica. E as consequências podem ser trágicas |
| por John Villasenor |
Seu celular, até agora confiável, de repente trava. O teclado para de funcionar, e você não consegue fazer ou receber ligações ou mensagens de texto. Você tenta desligar a engenhoca, mas nada acontece. Retira a bateria e torna a colocá-la; o celular simplesmente volta a travar. Não se trata de um defeitinho qualquer. Horas mais tarde, você descobre que não é o único a ter esse problema: milhões de pessoas também viram
seus celulares travar, súbita e inexplicavelmente.
Essa é uma das maneiras possíveis de experimentar um ataque em grande escala ao hardware – à máquina propriamente dita. Esse tipo de ocorrência se relaciona a circuitos integrados cada vez mais sofisticados que servem como o cérebro de muitos dos aparelhinhos em que confiamos todos os dias. Esses circuitos se tornaram tão complexos que nenhum conjunto isolado de engenheiros consegue entender cada peça de seu design; ao contrário, diferentes equipes de engenheiros em continentes bem distantes projetam partes do chip, e todas são reunidas pela primeira vez quando o chip é impresso em silício. O conjunto de circuitos é tão complexo que torna impossível realizar testes exaustivos. Qualquer corpo estranho colocado no código do chip vai passar despercebido até ser ativado por algum tipo de gatilho, como data e horário específicos – como um cavalo de Troia, ele inicia o ataque depois de se instalar com segurança dentro das entranhas da máquina, do hardware.
A natureza física dos ataques a hardware os classifica como potencialmente mais problemáticos que worms, vírus e outros programas perniciosos. Um vírus pula de máquina para máquina, mas em princípio também pode ser extirpado de qualquer sistema que infecte. Em contraste, não há remédio para ataque a hardware que não envolva substituir as unidades infectadas. Pelo menos por enquanto.
A dificuldade de reparar um problema de hardware sistêmico e maligno não deixa que peritos em cibersegurança durmam sossegados. Qualquer coisa que use um microprocessador – ou seja, praticamente tudo que é eletrônico – é vulnerável. Circuitos integrados estão no coração dos nossos sistemas de comunicação e do fornecimento mundial de eletricidade. Posicionam os flaps nos aviões modernos e modulam a energia no sistema de freios antibloqueio do seu carro. São usados para acessar cofres-fortes e caixas automáticos de bancos e para fazer funcionar a Bolsa de Valores. Formam o núcleo de praticamente todo sistema crítico em uso pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. Um ataque bem planejado simplesmente paralisaria o comércio ou imobilizaria partes vitais dos militares ou do governo americano. |
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| John Villasenor JOHN VILLASENOR entrou para o Departamento de Engenharia Elétrica da University of California, Los Angeles (UCLA), em 1992. Antes trabalhou no desenvolvimento de métodos para imagear a Terra a partir do espaço no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa e completou seu MS e seu Ph.D. na Stanford University. Na UCLA sua pesquisa tem como foco métodos, tecnologia e sistemas usados para capturar informações no mundo em torno de nós, convertê-las em forma digital e transportá-las eficiente e seguramente de um lugar a outro. |
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