Reportagem
  
edição 59 - Abril 2007
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Uma vida digital
“Ele freqüentemente precisava de uma memória artificial, portátil, infalível.” –Patrick O’Brian, The fortune of war
por Gordon Bell e Jim Gemmell
[continuação]

Por último, o aumento dramático do poder de computação ao longo da última década levou à introdução de processadores que podem eficientemente acessar, analisar e visualizar uma vasta quantidade de informação. Um notebook PC pode rodar um banco de dados mais poderoso e quase 100 vezes maior que o de um grande banco nos anos 80. Um celular barato pode navegar na internet, exibir vídeos e até mesmo entender a voz do dono.

À medida que melhora o hardware para gravação digital, mais e mais pessoas começam a criar registros eletrônicos de suas vidas. O advento de câmeras digitais baratas e de alta qualidade (incluindo as incorporadas nos celulares) provocou um boom no hábito de fotografar. Blogs que incorporam fotos estão se tornando mais comuns que sites pessoais. Os blogs e o uso de aparelhos móveis são populares principalmente entre os jovens. O fato dessa proliferação de crônicas digitais estar ocorrendo apenas com ferramentas rudimentares demonstra que as pessoas têm sede por esse tipo de atividade. E o interesse certamente crescerá assim que o processo de gravação digital se tornar mais fácil e mais abrangente.

Memórias de Um Homem
Nossa experiência com memórias digitais teve início em 1998, quando Bell decidiu deixar de usar papel, descartando uma montanha caótica de artigos, livros, cartões, cartas, memorandos, pôsteres e fotos. Para transferir esta pilha de memórias para uma gravação digital, ele escaneou todos os documentos e artefatos de sua vida pessoal e sua longa carreira no setor de informática. Ele também digitalizou filmes caseiros, palestras gravadas em vídeo e gravações de voz. Bell se livrou de sua papelada, mas o custo foi alto: foi necessário um assistente pessoal trabalhando por vários anos para concluir a tarefa. (Arquivar itens mais recentes não exigiu um esforço tão grande, porque a grande maioria dos documentos, imagens e vídeos atualmente é criada em formatos digitais, de forma que a captura é automática.)

Mas após escanear toda essa informação, Bell ficou frustrado com sua incapacidade de fazer uso dela com o software disponível na época. Seu descontentamento levou ao projeto MyLifeBits. Quando iniciamos o projeto, em 2001, as ferramentas de pesquisa desenvolvidas para os computadores de mesa eram rudimentares. Assim, decidimos criar um banco de dados que nos habilitaria não apenas a realizar busca plena de textos em nossos PCs (uma ferramenta comum atualmente), mas também a recuperar rapidamente memórias digitais usando atributos chamados metadados: por exemplo, data, local ou assunto de uma foto ou comentários escritos ou falados anexados ao arquivo. Metadados são uma parte freqüentemente crucial de uma recordação; uma pessoa à procura de um e-mail específico, por exemplo, pode lembrar que ele foi enviado em uma certa época do ano. Ao lincar esses metadados, grande parte deles obtidos automaticamente, às memórias digitais, o banco de dados permite aos usuários pesquisar de forma eficiente até arquivos muito grandes.
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Gordon Bell e Jim Gemmell GORDON BELL e JIM GEMMELL trabalham juntos no projeto MyLifeBits da Microsoft Research desde 2001. Um dos pioneiros da indústria de informática, Bell supervisionou o desenvolvimento do famoso minicomputador VAX para a Digital Equipment Corporation nos anos 70. Durante os anos 80, ele ingressou na Microsoft como líder do grupo de pesquisa eSearch. Gemmell é pesquisador sênior do grupo de pesquisa Next Media da Microsoft. Seu atual foco de estudo é o armazenamento vitalício de experiências pessoais, mas seus interesses também incluem gerenciamento de mídia, telepresença e multicast.
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