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Reportagem |
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| edição 59 - Abril 2007 |
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| Uma vida digital |
| “Ele freqüentemente precisava de uma memória artificial, portátil, infalível.” –Patrick O’Brian, The fortune of war |
| por Gordon Bell e Jim Gemmell |
[continuação]
MyLifeBits também forneceu a Bell uma variedade de ferramentas para capturar suas interações com outras pessoas e máquinas. O sistema registra seus telefonemas e seus programas de rádio e televisão. Quando trabalha em seu PC, o MyLifeBits armazena automaticamente uma cópia de cada página de internet que ele visita e uma transcrição de toda mensagem instantânea que ele envia ou recebe. Também registra os arquivos abertos, as músicas que Bell escuta e as buscas que ele realiza. O sistema monitora até mesmo que janelas estão em primeiro plano em sua tela e a atividade de mouse e teclado. Quando Bell se desloca, o MyLifeBits atualiza continuamente sua localização a partir de um dispositivo portátil de GPS (Sistema de Posicionamento Global), transmitindo sem fio a informação para seu arquivo. Esse rastreamento geográfico permite que o software determine automaticamente sua localização nas fotografias, com base no momento em que cada uma é tirada.
Para obter um registro visual de seu dia, Bell usa uma SenseCam, câmera desenvolvida pela Microsoft Research com um sensor capaz de identificar momentos propícios para fotos. Por exemplo, se a SenseCam detecta a proximidade de um corpo (pelo calor), ela fotografa a pessoa. Se a luminosidade muda significativamente, o usuário provavelmente entrou ou saiu de uma sala e passou para um ambiente diferente – e a câmera tira outra foto. Um recente estudo liderado pelos pesquisadores do Addenbrooke’s Hospital em Cambridge, Inglaterra, mostrou que um paciente com problemas de memória que revisava as imagens da SenseCam toda noite foi capaz de reter as memórias por mais de dois meses. (Em comparação, a revisão noturna de um diário escrito resultava em quase nenhuma melhoria na retenção de memória.) O neuropsicólogo Martin Conway, da Universidade de Leeds, na Inglaterra, especula que a SenseCam poderá se tornar “o primeiro estimulante de memória realmente eficaz do século XXI”.
Após seis anos, Bell reuniu um arquivo digital contendo mais de 300 mil gravações e ocupando cerca de 150 gigabytes de memória. A informação é armazenada em seu computador notebook com dois discos rígidos e no PC de mesa de seu assistente, que possuem backup local e externo. Os arquivos de vídeo ocupam grande parte do espaço de armazenamento – mais de 60 gigabytes – enquanto as imagens ocupam 25 gigabytes e os arquivos de áudio (a maioria música) ocupam 18 gigabytes. O restante é dividido entre 100 mil páginas de internet, 100 mil e-mails, 15 mil arquivos de texto, 2 mil arquivos PowerPoint e assim por diante. Bell considera o sistema particularmente útil para contatar velhos conhecidos e encontrar pessoas com as quais precisa se comunicar. Ele também usou o MyLifeBits para encontrar sites de internet para citações em seus trabalhos de pesquisa, para fornecer aos médicos informações sobre sua cirurgia de ponte de safena feita há 25 anos e para obter uma foto de um amigo falecido para um obituário no jornal.
Algumas funções do MyLifeBits, como busca de texto completo, já foram incorporadas em produtos comerciais. Mas como um todo, o sistema exige mais desenvolvimento para melhorar a facilidade de uso e o gerenciamento dos dados. Um software melhorado para conversão de fala em texto aprimoraria enormemente o sistema, ao permitir aos usuários a busca por palavras e frases contidas em conversas telefônicas e outras gravações de voz. Da mesma forma, o reconhecimento automático de faces diminuiria a necessidade de rotular as fotos. E a recuperação de informação se tornaria mais fácil se o sistema identificasse automaticamente cada documento entre centenas de tipos possíveis, talvez analisando sua forma e conteúdo. Mas nosso projeto de pesquisa já promoveu a evolução do PC de um processador de textos e calculadora para um processador de transações capaz de registrar tudo sobre a vida do usuário em multimídia de alta fidelidade. Muitos especialistas previram a morte do computador pessoal, mas é cada vez mais evidente que o “P” do “PC” não desaparecerá. Os PCs se tornarão ainda mais pessoais. O que mudará é o “C”. Nossas máquinas evoluirão para ecossistemas de computação que abrangerão não apenas os computadores, mas serviços de armazenamento na internet, novos dispositivos de acesso (como celulares e centros de entretenimento) e sensores espalhados por toda parte. No futuro, é provável que o My Life Bits fique armazenado em um servidor doméstico conectado a vários serviços de internet. |
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| Gordon Bell e Jim Gemmell GORDON BELL e JIM GEMMELL trabalham juntos no projeto MyLifeBits da Microsoft Research desde 2001. Um dos pioneiros da indústria de informática, Bell supervisionou o desenvolvimento do famoso minicomputador VAX para a Digital Equipment Corporation nos anos 70. Durante os anos 80, ele ingressou na Microsoft como líder do grupo de pesquisa eSearch. Gemmell é pesquisador sênior do grupo de pesquisa Next Media da Microsoft. Seu atual foco de estudo é o armazenamento vitalício de experiências pessoais, mas seus interesses também incluem gerenciamento de mídia, telepresença e multicast. |
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