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Reportagem |
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| edição 59 - Abril 2007 |
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| Uma vida digital |
| “Ele freqüentemente precisava de uma memória artificial, portátil, infalível.” –Patrick O’Brian, The fortune of war |
| por Gordon Bell e Jim Gemmell |
| Um dia digital |
O acesso a memórias digitais de uma vida inteira aumentaria a produtividade no trabalho, auxiliaria tratamentos médicos, melhoraria a performance escolar e muito mais. A rotina diária dos Digitais, uma família fictícia que vive em um futuro não muito distante, ilustra os potenciais benefícios dessa tecnologia.
Ana Digital, professora de química, precisa ler um artigo mas não consegue se lembrar do nome do autor. Mas ela se lembra de ter aberto o arquivo com o documento enquanto falava ao telefone com um aluno no início do ano passado. Ela limita a busca pelo documento àqueles vistos durante os telefonemas automaticamente registrados, e imediatamente encontra o que precisa.
Davi Digital, corretor de ações, arquiva todos seus documentos, e-mails, chamadas telefônicas e visitas a sites na internet ao longo do dia de trabalho. Enquanto escreve um e-mail, seu programa de gerenciamento de tempo alerta que ele está gastando tempo demais se comunicando com um cliente não importante. Ele deixa de polir a mensagem e a envia como está, começa a trabalhar com uma conta de maior prioridade. Davi também analisa os dados recentes de seu peso, batimento cardíaco e ingestão de calorias para determinar os efeitos de dois dias de reuniões estressantes.
Davi leva sua filha de 7 anos, Laura, ao médico. O programa de análise da saúde de Laura recomendou um check-up porque seu ganho de peso nos últimos seis meses (como registrado diariamente pela balança no banheiro) está abaixo do esperado. O médico diz que este sintoma pode ser um efeito colateral inesperado do medicamento para asma que Laura toma. Como sua respiração está excelente há vários meses, o médico sugere a suspensão temporária do medicamento.
No jantar, Davi e Ana discutem com o filho deles de 14 anos, Estevão. Ana está irritada por Estevão sempre deixar sua lição de casa para a última hora e quer que ele inicie sua redação imediatamente. Mas Estevão mostra aos pais os resultados de seu programa de análise de ensino, que indicam que suas notas são mais altas quando ele faz sua lição mais tarde. As memórias digitais de Estevão também revelam que ele aprende mais na sala de aula, em discussões em grupo, que durante a leitura.
A mãe de Ana, Jane, vive em um condomínio para idosos. Os enfermeiros têm acesso a parte de suas memórias digitais: eles serão automaticamente alertados se ocorrer qualquer irregularidade cardíaca ou respiratória ou se os sensores usados no corpo mostrarem que ela não está realizando suas caminhadas diárias. Ana aprendeu a monitorar os registros da máquina de lavar louça de sua mãe: quando Jane está deprimida, ela freqüentemente deixa a louça acumular. Antes de deitar, Jane vê antigas fotos e vídeos de seu arquivo digital, usando um display interativo. |
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| Gordon Bell e Jim Gemmell GORDON BELL e JIM GEMMELL trabalham juntos no projeto MyLifeBits da Microsoft Research desde 2001. Um dos pioneiros da indústria de informática, Bell supervisionou o desenvolvimento do famoso minicomputador VAX para a Digital Equipment Corporation nos anos 70. Durante os anos 80, ele ingressou na Microsoft como líder do grupo de pesquisa eSearch. Gemmell é pesquisador sênior do grupo de pesquisa Next Media da Microsoft. Seu atual foco de estudo é o armazenamento vitalício de experiências pessoais, mas seus interesses também incluem gerenciamento de mídia, telepresença e multicast. |
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