|
 |
|
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
Reportagem |
|
|
| edição 38 - Julho 2005 |
 |
|
| Vacina terapêutica contra o Câncer |
| Pesquisadores brasileiros utilizam células dendríticas e cancerígenas para tratar tumores |
| por José Alexandre M. Barbuto |
O uso de vacinas terapêuticas contra neoplasias, que por muito tempo parecia um ideal utópico, está se tornando realidade clínica.
Tal progressão se deve a um grande desenvolvimento de nosso conhecimento, tanto na área da biologia dos tumores, quanto na da fisiologia intrínseca do sistema imune e de suas relações com as células cancerígenas.
Com o avanço, foi possível gerar in vitro células dendríticas. Elas têm a função de "apresentar" ao sistema imune qualquer substância que precise ser conhecida e são, portanto, fundamentais para o tratamento de neoplasias.
Utilizando o potencial terapêutico das células dendríticas, desenvolvemos uma vacina híbrida, com essas células, combinadas às do tumor, para pacientes com melanomas ou carcinomas renais metastáticos. Em um estudo desenvolvido em conjunto pelo Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), o Laboratório de Patologia Cirúrgica e Molecular e o Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, tratamos 70 pacientes, que mostraram melhora em seu sistema imune, recuperando a hipersensibilidade tardia a antígenos, antes negativa.
Dentre as várias modalidades de imunoterapia, a vacinação, por buscar induzir uma resposta imune ativa no indivíduo, traria para o tratamento da doença uma das principais características da resposta imune: a especificidade. Essa característica, que permite que o sistema imune discrimine com muita exatidão seus alvos, torna os mecanismos de ataque muito precisos e diminui significativamente a lesão de tecidos normais, mesmo que muito semelhantes aos tecidos neoplásicos. Assim, uma vacina contra o câncer deveria provocar muito menos efeitos colaterais adversos, pois estes são conseqüência da falta de especificidade dos tratamentos usuais, quer sejam quimioterápicos, quer sejam radioterápicos.
. |
|
1 2 3 4 5 6 7 » |
| José Alexandre M. Barbuto Formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, recebeu o título de mestre em imunologia pela Escola Paulista de Medicina e completou sua especialização em imunologia celular no Instituto Max Planck de Imunologia, em Tübingen, Alemanha. Fez doutorado no Instituto de Ciências Biomédicas na USP, onde atualmente é professor doutor. É consultor científico do Laboratório de Patologia Cirúgica e Molecular do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e do Grupo Genoma. |
|
|
|
|
|
|
|
|