Reportagem
  
edição 61 - Junho 2007
Vale pensar no Etanol a longo prazo?
É preciso encontrar uma forma de usar a palha do milho, e não os seus grãos
por Matthew L. Wald
O terminal do aeroporto em Sioux Falls, Dakota do Sul, parece igual a qualquer outro, até se chegar à esteira de bagagem. Entre os carrosséis está um carro de corrida ao estilo fórmula Indy, coberto por selos que indicam que ele roda a etanol. Ao se aproximar dos balcões de aluguel de carro, você verá um aviso dizendo aos clientes que não abasteçam os carros alugados com E85, a mistura de ultra-etanol vendida localmente, pois não foram projetados para eles e o combustível arruinaria seus motores.

Esse é o território do etanol, o centro do esforço americano para transformar carboidratos em hidrocarbonetos. Os EUA caíram na farra do etanol. Em agosto de 2005, o Congresso aprovou um grande pacote de energia propondo a produção de mais de 28 bilhões de litros de etanol por ano até 2012, em comparação aos 15 bilhões de litros -naquele ano, para ajudar a substituir o combustível importado. Analistas do setor disseram que o país queimará tal quantidade de etanol muito antes do prazo, graças aos subsídios e incentivos fiscais do governo – e especialmente se os preços do petróleo permanecerem altos –, pois o custo para converter matéria vegetal em etanol é inferior aos US$ 2,50 por galão que a gasolina atingiu ao final de 2005.

De fato, segundo a Associação de Combustíveis Renováveis dos EUA, a previsão para a produção doméstica de etanol era de mais de 19 bilhões de litros em 2006. Tal quantidade é pequena em comparação ao consumo de gasolina e diesel de cerca de 530 bilhões de litros anuais, mas representa um aumento de 50% em um ano. Andrew Karsner, secretário-assistente de energia para eficiência e energia renovável do Departamento de Energia dos EUA (DOE), disse que devido à pressão de mercado exercida pelo alto preço do petróleo, investidores estão se esforçando para construir usinas de etanol. Há um boom do etanol, ele disse, “um pouco parecido com a corrida do petróleo na Pensilvânia nos anos 1850”.

Mas essa corrida vale a pena? Não da forma como produzimos etanol no momento. Todo o etanol vendido comercialmente nos EUA vem de grãos de milho e consome muita energia para ser produzido. Alguns estudos indicam que o refino de um galão desse combustível consome mais energia do que fornece quando queimado. Mesmo as pesquisas positivas mostram apenas um ligeiro ganho líquido de energia. Outra mostra que o ciclo do etanol a partir do milho reduz os gases responsáveis pelo efeito estufa apenas marginalmente ou não o diminui em comparação à gasolina.
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Matthew L. Wald É repórter do The New York Times, no qual escreve sobre temas relacionados à energia desde 1979. Ele já escreveu sobre refino de petróleo, produção de eletricidade, automóveis elétricos e híbridos e poluição do ar. Wald atua em Washington, D.C., onde também acompanha segurança nos transportes e outros assuntos.
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