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Reportagem |
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| edição 55 - Dezembro 2006 |
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| Vírus no celular |
| Vírus de computador agora são transmissíveis pelo ar, infectado telefones celulares em todas as partes do mundo. Empresas de antivírus, operadoras de celular e fabricantes de telefones procuram minimizar essa ameaça antes que ela saia de controle |
| por Mikko Hypponen |
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| A infecção de um smartphone por um software nocivo - malware - pode rapidamente afetar outros num efeito dominó |
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A previsão das empresas de antivírus se concretizou em junho de 2004. Como outros pesquisadores que estudam formas destrutivas de software, eu sabia que era questão de tempo para o que chamamos de malware aparecer nos celulares. Desde que esses aparelhos se tornaram pequenos computadores de bolso (smartphones) capazes de baixar programas pela internet e compartilhá-los por meio de conexões Bluetooth de curto alcance, serviços de mensagens multimídia (MMS) e cartões de memória, surgiram novas vulnerabilidades. Pessoas mal-intencionadas descobriram essas fraquezas e tentam prejudicar outras e praticar crimes.
Há dois anos e meio, especialistas em segurança digital encontraram o primeiro vírus criado especialmente para celulares com esses dispositivos, os chamados smartphones. Apelidado de Cabir, ele não causava dano ao aparelho infectado, a não ser consumir mais bateria ao tentar se copiar para outro smartphone através da conexão Bluetooth. Seu criador desconhecido, que aparentemente o criou apenas para poder se gabar de ter sido o primeiro, escolheu postá-lo em um site, provavelmente de algum lugar da Espanha, em vez de lançá-lo no ar. Mas em dois meses outros malfeitores, desta vez no Sudeste asiático, deixaram que ele se espalhasse pelo mundo.
Já esperávamos o aparecimento de vírus como o Cabir, mas os especialistas em antivírus não estavam totalmente preparados para lidar com ele. Assim que o alarme soou, minha equipe na F-Secure, empresa de informática especializada em segurança de computadores, começou a estudar o novo vírus, que era de um tipo conhecido como worm. Mas não havia local seguro para estudá-lo; ao contrário do vírus, que pode ser observado e dissecado em uma máquina desconectada de qualquer rede, vírus móveis são capazes de se disseminar - em alguns casos, até mesmo dar saltos transoceânicos - no momento em que o telefone infectado é ligado.
Assim, levamos quatro celulares atingidos pelo Cabir para um abrigo antibombas no porão de nosso prédio de escritórios e mantivemos um guarda na porta antes de ligá-los, para evitar que algum funcionário desavisado entrasse e tivesse seu telefone infectado. Posteriormente, a F-Secure construiu dois laboratórios revestidos de alumínio e cobre, impenetráveis por ondas de rádio, para estudar essa nova forma contagiosa de malware. |
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| Mikko Hypponen é diretor de pesquisa da F-Secure, empresa de segurança de computadores em Helsinque que presta consultoria para fabricantes de celulares e operadoras de rede. Por várias vezes nos últimos 15 anos, sua equipe foi a primeira a identificar e combater dezenas de vírus, como o infame worm LoveLetter em 2000. Co-autor de dois livros sobre segurança em computadores, Hypponen já auxiliou investigações da Microsoft, do Birô Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI), do Serviço Secreto americano e da Scotland Yard, do Reino Unido. |
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