Reportagem
  
edição 52 - Setembro 2006
Voar como os pássaros
Conquistas de Santos Dumont beneficiaram-se de trabalhos anteriores e deixaram legado para desenvolvimento de naves para futuras viagens espaciais.
por Ulisses Capozzoli
Em 1901, Santos Dumont vence o prêmio Deutsch de la Meurthe depois de contornar a Torre Eiffel com o dirigível no 6, naquele que seria o primeiro vôo dirigido da história. Os 100 mil francos da premiação são doados aos pobres de Paris e aos homens que o ajudaram.
Por improvável que possa parecer tudo talvez tenha começado com a inclinação do eixo da Terra. A sucessão das estações, quase sempre, restringia a oferta de alimentos. Com isso, manadas deslocavam-se para regiões mais promissoras e, no rastro de animais em migração, seguiram os primeiros bandos de caçadores humanos.

Os obstáculos de rios e lagos, ainda hoje vencidos por rebanhos migratórios em determinadas regiões da África, foram transpostos por caçadores primitivos sobre troncos de árvores, as primeiras embarcações.

A perspectiva do vôo, no entanto, certamente foi vista sempre como a mais promissora. Mesmo barreiras como montanhas, áreas alagadiças e braços de mar seriam transpostas com facilidade. Mas, para elevarem-se no ar, os humanos deveriam esperar o fluxo do tempo, observar pacientemente o vôo de aves, insetos e morcegos e, como eles, ser capazes de abrir trilhas e rotas pela fina atmosfera da Terra.

Perspectiva Histórica
Evocar a perspectiva do vôo, além de localizar essa conquista como parte de um processo histórico, um avanço da ciência sustentado sobre os ombros de inúmeros homens, é também uma forma de evitar simplificações. O que não significa ignorar o talento de gênios, literalmente os homens que deram asas à imaginação.
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Ulisses Capozzoli Editor de Scientific American Brasil, é jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo.
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