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Um raro presente.

 

O clichê exigido. O disco todo numa edição como deve ser.

 

Como autor, não poderia estar mais reconfortado. Sempre foi minha peça de resistência, antes mesmo de ser gravado. Todos, ou quase, foram contra a maneira como dirigi musicalmente estas canções.

Era outra época onde cobranças para fazer sucesso não eram muito diferentes de hoje, mas me deixaram à vontade para fazer o que realmente queria. Diziam que eu fazia tudo errado. O som não era esse. Sidney Morais, coordenador de produção, foi à única presença da gravadora que teve a sensibilidade de me reafirmar que “o som era esse. Não mude nada”. É claro que todos contribuíram admiravelmente, mas discordando sempre de mim. Mesmo assim, foi a realização do garoto que forma uma banda sem qualquer componente para gravar suas musicas, estas sim, o centro da questão. Vesti-las foi um grupo, cada um com algumas pérolas definitivas como o contra-baixo de Sangue Latino criando um "riff" do instrumento, absoluto, ou as flautas, ocarinas, de bambu, junto com a percussão de Assim Assado. A única que eu menos gostava, Fala, dei para um arranjador. Passei a gostá-la mais. Há também O Vira que alguém pode achar, por ser português, ter sido o mentor do arranjo folclórico, mas não, pelo que me lembro à sugestão foi da letrista a partir do próprio título que ela deu.

Enfim, falar deste disco é com citar outro clichê, desta vez pela boca do meu filho, ao se referir a ele como o seu irmão mais velho.

 

 

 

João Ricardo