CHATO-BOY
(João Ricardo-Daniel Iasbeck)

“João Ricardinho,
Come a sopinha, come...
Senão eu chamo o bicho papão ““.

 - Oh puto! Oh puto! Oh puto! –

Quarta ou quinta ou sexta-feira
Fardado de “mocidade portuguesa”
O horror
Aos olhos do ditador
Um primor

Socorro!

Agora vai.
A mãe manda o pai: vai!
Foi  
      e nós,
                 depois
“ora, pois, pois”.

Olhamo-nos assim
Como quem pergunta
Por mim...
Eu?
Ser ou não ser
Não é a questão
É a função
Que eu decidi
Vim, vi e venci.

Todos contra um
Um contra todos
A mim e aos outros
Aqueles que nem sabem
Apenas sonham
E amam
E sonham
E no fundo, no fundo... O fundo.
O mundo ao contrário

Um moreno vaidoso
Um neguinho invejoso
O rei dos lagartos é manco
A bichinha foi á merda
E a rainha, morreu!
E quem se fodeu?

Prometeu acorrentado
Dado que a Grécia é ali
E aqui o Haiti
Perto de ti
Cheio de si
Com apenas um olho
O do cu
Vendo a banda passar
Até ao carnaval chegar

Isso é o resumo
O prumo foi antes
Antes disso
Antes daquilo
Antes de tudo
Tudo antes foi melhor
Como começar do nada
Nada disto
Nada daquilo
Nada de nada
E por isso mesmo
Tudo foi por água abaixo
Diacho
Começa de novo
Feito uma canção
Que fala ao coração
De melão
Porque o João
Quis que se catasse
E não deu nem tempo
Para que alguém notasse
O que vinha por aí
Aliás, até hoje;
Qualquer hoje.

Vamos, continua.

Algumas canções eram o mote
Pote de ouro
Logo se viu
E mesmo quem não viu
Fazia uma fé
Do nada
Mas fé
Esperava
Com fé
Cantava
Com fé
Argumentava
Eu, com fé...
Até que deu
O maior pé
Pronto
Ou quase
E todos olhavam espantados
“o que é isso?”.
Não “quem são”, mas “isso”.
Isso é uma aberração
Ou você não sabia?

Agora as teses:
Os tesos
Tinhosos
Invejosos
Chineses
A maior parte deles:
Brilhantes
Phd’s em tudo
Afinal isso era sorte
Nada mais
Porque talento...
Coitado do rapaz
Uma nuvem passageira
Que escureceu
Mas virou temporal

Temporão foi a bunda do machão
Saída assim mais uma vez
Do nada
Posta em causa
Ferrada
“et pour cause”
A sensação da temporada.
Qual nada
É melhor prevenir
Do que remediar
É melhor matar
E se alguém lembrar?
Melhor matar
E se alguém cantar?
Melhor matar
E se alguém chorar?
Melhor comprar.

Um morto
E dois comprados

Viados!

Epíteto normal
Como carne seca
Queimada do sol
Do complexo original
Saídos do quintal
Para a casa grande
De avental
E por isso mesmo
Atirando a esmo
Sem bem ou mal: predador
Pelo que sente
Matador
Pelo que vende
Mercador
Pelo que é
Traidor
E enfim: torto
Ódio ao morto
Mais vivo do que nunca!

 

Passemos para a saleta
A irmã chora, obsoleta;
O marido ri, careta;
Ao pai interessa a treta;
A namorada muda, quieta;
E a mãe, soluça, asceta.

Pensou num pouco de paz
Familiar
E com gás
Contra atacar
Mas no fim
Jaz peninsular

E a muda continua
Quieta
Infesta
E blefa
Cenas de um casamento:
O cano
Filhos
O dano
Pano rápido

Rapidamente a vida purga
Repurga
Transmuta

A puta que me lembra
Do livre associar
No complexo de se dar
Por inteiro
E retalhar
Sentimentos de lugar
Numa casca de banana
Estatelar
Atônito
Levantar
As mãos     os pés        recomeçar

E olha que gostam de lembrar
O menino parvo
O menino curvo
O menino álacre
O menino        menino
O menino homem
O menino lobisomem

E a propaganda
Você anda marionete
E a propaganda
Urso panda de colete
E a propaganda
É quem manda de porrete
E a propaganda
É quem canta de falsete
E a propaganda
Uma banda de verbete

Agora
Como era gostoso
O teu francês
Libanês
Que falava português
E eles?
Aplicados
Disfarçados
Engajados
Infiltrados.

Sinto sempre o ar limpo
Pelo que sou

Um cantor errático
Enfático
Problemático
Fleumático
Hepático

“belo, áspero e intratável”.

 

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