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Até
o comecinho dos anos 90, eles eram apenas
os responsáveis pelo som em festas e endereços
da vida noturna. Hoje, o significado mudou
um pouco. Os DJs também tocam, mas têm poder
de alterar o ritmo de uma noite e transformar
faixas empoeiradas em estrondoso sucesso.
E ainda produzem discos de A a Z na música
brasileira e internacional. São os artistas
do momento. As histórias de Ramilson Maia,
Tony Hits, Rose Viana e DJ Hum tinham poucas
semelhanças até o dia em que suas vidas
recaíram sobre um aparelho de toca-discos,
e a paixão virou ganha-pão.
Com 35 anos de carreira, Hits é uma lenda
entre os fãs da música negra e carrega histórias
do tempo em que o DJ praticamente não existia.
“Era discotecário”, explica. Segundo ele,
não tinha fama e muito menos bons cachês.
“Comecei em 1972, em festas de família.
Não havia a opção de trabalhar com duas
pick-ups e muito menos fones de ouvido.
Ficávamos atrás de uma cortina, como se
fôssemos uma orquestra invisível.”
Ex-pedreiro, pintor de paredes e vendedor
de discos, Ramilson cansou de pular entre
várias funções antes de achar sua verdadeira
vocação.
Histórias de música
Agora, brilha na vertente eletrônica. Em
julho, voltou de uma longa turnê com o Kaleidoscópio
pela Europa. Na bagagem, trouxe elogios
e o quarto lugar entre as mais tocadas nas
paradas italianas. “Antes eu não achava,
mas agora acredito que os DJs são músicos,
sim!”, diz. “Aprendi o que sei ouvindo.
Escuto muita coisa até hoje. Não é apenas
comprar discos, o buraco é mais embaixo.
Tem que estudar muito.”
A palavra DJ (ou disc-jóquei) surgiu nos
anos 70. Nas festas, reinavam as bandas
ao vivo, e o som mecânico ocupava apenas
os intervalos. Hoje, os antigos coadjuvantes
se tornaram protagonistas. As ofertas de
trabalho vão de baladas até endereços gastronômicos.
É justamente o que faz a baiana Rose Viana,
DJ do restaurante Di Bistrô, no Itaim (zona
sul de São Paulo).
Ex-atendente de padaria, ela ganhou a chance
de trabalhar como hostess (recepcionista)
e, há dois anos, assumiu o som. Especialista
em bossa nova, jazz e soul, cria a trilha
sonora da refeição de clientes como a apresentadora
Adriane Galisteu. “As pessoas ficam surpresas
ao verem uma negra tocando, mas racismo
e preconceito se combatem com alegria”,
diz. Integrante da geração que iniciou a
cultura hip hop no Brasil, DJ Hum, ex-parceiro
de dupla de Thaíde, somou ao currículo a
função de empresário, montou o selo Humbatuque,
apresenta programa em uma rádio e atua como
produtor.


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