Editora Record
Este livro dá seqüência ao precedente História da beleza. Aparentemente beleza e feiúra são conceitos com implicações mútuas, e, em geral, entende-se a feiúra como o oposto da beleza, tanto que bastaria definir a primeira para saber o que seria a outra. No entanto, as várias manifestações do feio através dos séculos são mais ricas e imprevisíveis do que se pensa habitualmente.
E, assim, tanto os textos antológicos quanto as extraordinárias ilustrações deste livro nos fazem percorrer um surpreendente itinerário, entre pesadelos, terrores e amores de quase três mil anos, em que movimentos de repúdio seguem lado a lado com tocantes gestos de compaixão e a rejeição da deformidade se faz acompanhar de êxtases decadentes com as mais sedutoras violações de qualquer cânone clássico. Entre demônios, loucos, inimigos horrendos e presenças perturbantes, entre abismos medonhos e deformidades que esfloram o sublime, entre freaks e mortos vivos, descobre-se uma veia iconográfica vastíssima e muitas vezes insuspeitada.
E deparando-se nas páginas deste livro com feio natural, feio espiritual, assimetria, desarmonia, desfiguração, numa sucessão de mesquinho, débil, vil, banal, casual, arbitrário, tosco, repugnante, canhestro, horrendo, insulso, nojento, criminoso, espectral, bruxesco, satânico, repelente, asqueroso, desagradável, grotesco, abominável, odioso, indecente, imundo, sujo, obsceno, espantoso, abjeto, monstruoso, horripilante, feio, terrível, terrificante, tremendo, revoltante, repulsivo, desgostoso, nauseabundo, fétido, ignóbil, desgracioso, intolerável e hediondo, o primeiro editor estrangeiro a ver a obra exclamou Como é bela a feiúra!
UMBERTO ECO - semiólogo, professor, escritor - nasceu em Alexandria, Itália, em 1932. Entre suas obras ensaísticas destacam-se
Obra aberta (1962), A estrutura ausente (1968), Tratado geral de semiótica (1975), Lector in fabula (1979), Semiótica e filosofia da linguagem (1984), Os limites da interpretação (1990),
A busca da língua perfeita (1993), Seis passeios pelos bosques da ficção (1994), Kant
e o ornitorrinco (1997), Sobre a literatura (2002), Quase a mesma coisa (2003).
Entre suas coletâneas, ressaltam-se Diário mínimo (1963), O segundo diário mínimo (1990), com uma primeira antologia de textos publicados na seção La Bustina di Minerva da revista L 'Espresso, Cinco escritos morais (1997) e La Bustina di Minerva (2000).
Em 1980 estreou na ficção com O nome da rosa (Prêmio Strega 1981), seguido por O pêndulo de Foucault (1988); A ilha do dia anterior (1994); Baudolino (2000) e A misteriosa chama da rainha Loana (2004). Também em 2004 publicou História da beleza.