Ensaio Aberto

Paulo José Campos de Melo

O milagre da voz humana- Publicado durante o Festival de Ópera do Theatro da Paz 2006

Se fôssemos seguir a lógica, Adriane Queiroz deveria ser uma ótima cantora popular e ninguém apostaria um centavo nas suas possibilidades líricas.

Moradora de um bairro típico de metrópoles brasileiras, Adriane cresceu ouvindo o que se ouve nas rádios no dia-a-dia e, nos fins de semana, quando era impossível dormir em conseqüência das festas de bairro, com certeza não eram árias de ópera ou canções e oratórios que atrapalhavam seu sono.

Quantos fenômenos como Adriane Queiroz não acontecem no Brasil e no mundo por carências de políticas públicas de apoio às artes e a cultura?

O Governo do Pará tem o orgulho de apresentar Adriane Queiroz para o mundo. Foi graças às tradições musicais mantidas no Estado do Pará pelo Governo do Estado que Adriane Queiroz descobriu a cantora extraordinária que é e também foi graças ao Estado que essa cantora atingiu o refinamento e pôde identificar todas as qualidades que lhe foram dadas naturalmente e que, como em muitos outros casos, poderiam ainda adormecer em berço esplêndido.

Esta voz que tem o poder de "amansar feras e acordar os deuses" paira sobre a platéia e "quando nos damos conta daquilo que ouvimos, mesmo Viena, acostumada às mais explícitas e sublimes manifestações artísticas, se descobre extasiada e ciente de que algo novo está atiçando a percepção dos ouvintes, a delicadeza de um timbre inesquecível que consegue assombrar e enternecer, comover e saciar todos os anseios estéticos. É a beleza pura e definitiva!"

Adriane Queiroz vem de uma temporada de sucessos que incluiu a gravação de Mahler, sob a regência de Pierre Boulez, na Filarmônica de Berlim, em comemoração aos 80 anos do regente, um dos grandes ícones da música universal.

Para Adriane, a convivência com os grandes da música passou a ser rotina e as viagens ao Brasil lhe permitem exercitar a sua grandeza maior, que é disponibilizar a sua versatilidade em um programa eclético e abusar da simplicidade no prazer com que faz o deleite de todas as platéias que tem o privilégio de ouvi-la, como nós.

Paulo José Campos de Melo

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