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Stabat Mater Festival de Ópera do Theatro da Paz, 2002
Sinopse Ficha Técnica Programa

 
Peças de Giovanni Baptista Pergolesi: Sinopse Veja fotos/See photos





Foto: Flavya Mutram

Festival de Ópera do Theatro da Paz.
20 de abril a
12 de maio de 2002

Direção geral:
Cleber Papa
Direção Artística:
Gilberto Chaves
Direção de Produção:
Rosana Caramaschi

 

 
Stabat Mater dolorosa
Luxta crucem lacrimosa
Dum pendebat Filius
A mãe sofredora
Estava em prantos junto à cruz
Enquanto o Filho lá estava pregado

O Stabat Mater foi definido pelo erudito religioso Frei Pedro Sinzig no seu dicionário musical como: "Palavras latinas, pérolas da poesia do franciscano Jacopone de Todi, que entrou no Breviário como Seqüência na Missa da festa das Sete Dores da Bem-Aventurada Virgem Maria". É, pois, um poema sacro que, dado o contexto em que se insere, tem caráter dramático.

O Stabat Mater, juntamente com a ópera - ou como querem alguns, o intermezzo cômico - La Serva Padrona, são as obras mais representativas do compositor napolitano Giovanni Baptista Pergolesi.

A Nápoles do final do século XVII e início do século XVIII, célebre por seus cantores e pelo gênero lírico, competia com Veneza como capital da ópera na Europa. Seus conservatórios e escolas de música produziram alguns dos maiores músicos do gênero lírico-dramático. Alessandro Scarlatti foi o mais célebre, além de Stradella que, embora não sendo napolitano, ligou-se pelo seu estilo de composição àquela escola. Os famosos castrati Farinelli e Caffarelli, entre outros, estudaram nos conservatórios de Nápoles, assim como o mítico Caruso, já no final do século XIX e início do XX, considerado um dos maiores cantores da história da ópera. Lalane, crítico musical francês, escrevia em 1769: "Música é o triunfo especial dos napolitanos..."

Pergolesi viveu apenas vinte e seis anos, mas firmou-se como uma das personalidades musicais mais influentes do início do século XVIII. Escreveu inúmeras óperas, relativamente bem sucedidas, porém não proeminentes. Sua música eclesiástica, no entanto, estabeleceu um novo padrão musical quando, no início daquele século, precisamente na transição do alto barroco para o classicismo, conseguiu unificar os estilos novo e antigo, preservando o contraponto erudito de stile antico ao mesmo tempo que trazia para a Igreja a linguagem decorativa e ornamentada da ópera italiana. Esta característica musical de antigo/novo foi o elemento fascinante do Stabat Mater para o século XVII, estendendo-se sua influência até Mozart e Haydn.

Pergolesi concluiu seu Stabat Mater no mosteiro franciscano de Pozuolli durante a fase aguda de sua enfermidade, possivelmente tuberculose. Os duetos são uma preciosidade do estilo antigo. Já os solos tratam a linha melódica com uma nova visão musical, que iria encantar aquelas e as novas gerações de músicos. No dueto Sancta Mater, istud agas cria uma cena dramática moderna e sofisticada, já próximo do estilo clássico no apogeu de seu desenvolvimento. Pergolesi morreu em circunstâncias obscuras semelhantes às de Mozart, e seu Stabat Mater, por sua originalidade e valor artístico, permanece no repertório dos grandes intérpretes e nos catálogos de gravação até nossos dias.

Felipe Andrade e Silva


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