Festival de Ópera do Theatro da Paz 2003

Bug Jargal de Gama Malcher

Palestra
15 de agosto

 

Recital
16 de agosto

Ficha técnica

Palestra: Bug Jargal de Gama Malcher
Vicente Salles e Márcio Páscoa

Lançamento da Edição digital das partituras
Márcio Páscoa

Recital

Música
José Cândido da Gama Malcher (1853-1921)

Libreto
Vicenzo Valle

Direção musical
Márcio Páscoa

Direção de produção
Rosana Caramaschi

Regente preparador do coro
Vanildo Monteiro

Pianista
Ana Maria Adade

Coral Marina Monarcha

Bug Jargal
tenor Eduardo Itaborahy
Leopoldo d'Averney
barítono Daniel Lee
Antônio d'Averney
baixo Stephen Bronk
Maria
soprano Dione Colares
Irma
mezzo-soprano Luciana Bueno
Biassú
baixo José Gallisa
Narração
Cássio Scapin



- Ficha técnica
- Sinopse
- Notas de
Programa
Programa

Ato I
Cena 1 Coro e Irma Mentre dardeggia il sol / Patria non ha, ne ciel
Cena 3 Antonio Forsé, lavoro é questo!
Cena 4 Bug Jargal, Antonio e Irma Fermate! Se di sangue il cor ha sete
Cena 5 Maria, Antonio, Bug Jargal e Coro Padre, mentre sorridi il sol nel suo bel raggi
Cena 6 Bug Jargal e Maria (Scena, Canzona e Duetto Finale I)
Io t'oddio ó fior / Perché mi fuggi ó bella / Quel canto mi suona una preghiera

Ato II
Cena 1 Irma (Aria) S'adorme la natura
Cena 2 Irma e Leopoldo (Duettino) É forsé il ciel che costui m'invia
Cena 3 Leopoldo (Scena e Romanza) Ed io a rival avró un schiavo /
Maria, non v'ó che una sol nube
Cena 4 Leopoldo e Bug Jargal (Repplica Canzone, Duetto e Lotta)
Perché me fuggi ó bella! / Gentil cantor, t'arresta

Ato III
Cena 1 Bug Jargal (Romanza) O patria! O suolo mio! Ohimé!
Cena 2 Bug Jargal e Irma Orsú ti sveglia che incalza il tempo

Ato IV
Quadro I
Cena 1 Biassú e os baixos do coro É in ceppi il bianco
Cena 2 Biassú, Bug Jargal e Leopoldo L'avansanno di Bug Jargal / Da te una grazia chiedo
Quadro II
Cena 1 Maria e Bug Jargal Tu lo salvasti / Non prosseguir, pietá del mio soffrir
Cena 2 Maria A me lo condurá
Maria e Leopoldo (Duetto Finale IV) Alla prima savanna la vedrai / Ah, nume pietoso




- Ficha técnica
- Programa
- Notas de
Programa

Sinopse


Bug Jargal estreou no Theatro da Paz, em 17 de setembro de 1890. Teve várias récitas no mesmo local e, posteriormente, no Teatro São José, em São Paulo, e no Teatro Lírico, no Rio de Janeiro, até 3 de março de 1891, não mais sendo remontado depois disso. O autor do libreto é Vincenzo Valle (1857 -1890), mais conhecido pelo libreto de Labilia, melodrama em um prólogo e dois quadros, com música de Nicola Spinelli, que alcançou o segundo lugar no célebre concurso da Casa Sonzogno que deu a vitória e revelou a Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni.
A música de Bug Jargal foi o primeiro trabalho operístico composto pelo paraense José Cândido da Gama Malcher (1853-1921). Sua educação musical deu-se inicialmente em Belém e, após concluir estudos de engenharia nos Estados Unidos, aplicou-se em Milão, onde viveu alguns anos. Além de Bug Jargal, ele compôs outras três obras líricas. Pianista e regente, Gama Malcher foi também empresário lírico.
O melodrama em quatro atos feito por Valle e Gama Malcher baseia-se na novela homônima de Victor Hugo, primeiro trabalho literário desse autor francês. Personagens secundários fo-ram suprimidos na trasladação do livro para o palco, bem como determinadas ações paralelas. Entretanto, a essência do tema foi preservada. O assunto de fundo é a questão abolicionista, que faz sobressair o ponto principal da peça: o amor fraternal de que a humanidade tanto se ressente, e que pode ser a solução para as diferenças brutais que ainda hoje se constatam.
Embora um dos últimos exemplos do formato melodramático em quatro atos, Bug Jargal contém elementos novos na concepção operística. Convi-vem, em sua composição, elementos da tradição de Rossini e Verdi, como a estrutura dramatúrgica, e aqueles da Scapigliatura e do nascente Verismo, como a ampliação do horizonte harmônico e o uso do leitmotiv, por exemplo.
A ação se passa na Ilha de São Domingos, no ano de 1790, e remonta a fatos históricos ocorridos por volta dessa data na ex-colônia francesa.

Ato I
Num campo de trabalho, próximo a uma casa senhorial, escravos lamentam a sua sorte. Dentre eles, está Irma, enamorada de Bug Jargal. Este aparece em cena pela primeira vez para acudir um velho escravo que está prestes a ser açoitado pelo impiedoso Antônio d'Auvergney, proprietário das terras. A punição a Bug Jargal só deixa de acontecer pela intervenção de Maria, filha de Antônio, que atende seus apelos. Bug Jargal, mais que agradecido, apaixona-se por Maria, causando ciúme em Irma.

Ato II
É noite, e Irma não está em sua cabana. Vagueia solitária e triste até encontrar Leopoldo d'Auvergney, sobrinho de Antônio e noivo de Maria. Tenente servindo no Forte Gallifet, acastelado que guarnece a região, Leopoldo tenta obter de Irma o nome do escravo que corteja anonimamente sua amada, prometendo-lhe a liberdade. Irma não cede, mas Leopoldo defronta-se com Bug Jargal e descobre ser ele o desconhecido cantor que entoava a triste e estranha melodia amorosa para Maria. O conflito entre os dois só não acaba com o assassinato do militar porque Maria surge para deter Bug Jargal. Mas, a essa altura, a altercação já chamou a atenção dos aldeãos e soldados, que chegam ao local debaixo de grande comoção. Bug Jargal é preso e, desta vez, a sua severa sentença haverá de ser cumprida.

Ato III
No cárcere, Bug Jargal relembra seus dias no Congo, terra natal, onde foi rei. Entretanto, angustia-se ainda mais com o sofrimento do seu povo escravizado, a quem lamenta não mais poder ajudar. Mas a sua prisão será temporária, e ele mesmo o soube, quando pressentiu os sinais de mudança. Em meio a essas reflexões, Irma adentra fortuitamente na cela de Bug Jargal, propondo-lhe que fuja com ela, pois ainda o ama intensamente. Bug Jargal nega-se a fugir, por considerar desonrosa tal atitude. No calor do diálogo, ouvem-se os tremores da revolta dos negros que explodiu na Ilha de São Domingos. O Forte Gallifet é tomado, e Bug Jargal é solto e aclamado rei. Entretanto, sua primeira preocupação é com a segurança de Maria. O ato termina com a ruína total das estruturas escravagistas, pelo fogo e pela rapina.

Ato IV
O primeiro quadro se passa em um acampamento das hordas negras, onde se prepara grande festejo. Biassú, um dos grandes líderes da revolta, comanda tudo e pretende sacrificar Leopoldo, um dos principais chefes brancos capturados. Os bailados das tribos se sucedem, o prisioneiro é trazido, e a cerimônia começa. Em meio a esses procedimentos, surgem Bug Jargal e seu séquito. Veio negociar a vida de Leopoldo. O desagrado de Biassú em ver seu superior pedir pela vida do seu prisioneiro de guerra é transformado em recompensa. Bug Jargal dá, em troca da vida de Leopoldo, a pena simbólica de sua autoridade.
No segundo quadro, Bug Jargal retorna ao lugar onde havia posto Maria a salvo, dizendo-lhe que Leopoldo já se encontrava livre. Mas ela lhe pergunta por que não o trouxera consigo. Bug Jargal declara, então, seu amor por Maria, que diz também o amar, mas como a um irmão, a quem quer imenso bem. Assim sendo, Maria mostra também preocupação com o paradeiro de Leopoldo, e pede a Bug Jargal que vá buscá-lo. Resignado, ele parte para encontrar o tenente.
Na solidão do ermo, Maria teme que a ira vença o amor no coração de Bug Jargal. Quando suas forças já parecem fugir, Leopoldo, que caminhara seguindo indicações de Bug Jargal, chega até ela. O regozijo do reencontro dos noivos não há de demorar. Percebendo que se enganou sobre Bug Jargal, Leopoldo diz à Maria que deve voltar imediatamente para libertá-lo, pois ele ficara refém dos soldados brancos, que o matariam caso o tenente não retornasse em uma hora. Mas os esforços de Leopoldo tardaram, e ouve-se, ao longe, o tiro de canhão anunciando a execução. Maria e Leopoldo, devedores de suas vidas a Bug Jargal, prostram-se no chão, pedindo piedade divina.

Márcio Páscoa

Theatro da Paz - Festival de Ópera 2003
de 7 de Agosto a 4 de Setembro

Realização:
Governo do Estado do Pará
Secretaria Especial de Promoção Social
SECULT - Secretaria de Cultura do Pará

Produção:
São Paulo ImagemData
Direção Geral: Cleber Papa
Direção Artística: Gilberto Chaves
Direção de Produção: Rosana Caramaschi

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