12 de agosto a 15 de setembro/2004
às 20:00 horas, no Theatro da Paz
Rua da Paz,
no centro da Praça da República
Bairro do Comércio
Belém / Pará - Brasil
Recital de Canto
18 de agosto
Adriane Queiroz: “una voce delle stelle”
A tradição vocal feminina sempre foi uma constante na
história da música paraense. Bastam as lembranças
de Helena Nobre, Maria Helena Coelho Cardoso e Marina Monarcha, esta
em atividade em São Paulo ensinando os segredos de sua arte.
Hoje, Adriane Queiroz representa a certeza da continuidade dessa tradição,
não só através de suas iniciais conquistas, mas,
principalmente, pela certeza da longa trajetória que a espera
no caminho da fama, resultado de um aprendizado sólido e de uma
sensibilidade notável aliada aos dons naturais de cantora lírica.
Iniciando seus estudos no fim dos anos 80, na Escola de Música
da Universidade Federal do Pará, e prosseguindo no início
dos anos 90, no Conservatório Carlos Gomes, até atingir
o bacharelado em música pela UEPA/FCG, além de passar vitoriosamente
por vários cursos e concursos nacionais e internacionais, Adriane
estava pronta para o desafio maior: estudar e vencer na Europa.
Sua têmpera e obstinação a levaram a Viena a partir
de 1997, onde diplomou-se em 2001. Reconhecida amplamente por seus mestres,
chamou a atenção da crítica e dos produtores de ópera,
que lhe abriram as portas para concertos em cidades do Japão e
em Graz, Viena, onde fez seu début no Musikverein, sendo posteriormente
convidada pela Volksoper vienense para, finalmente, ser contratada e
integrar o quadro fixo de solistas da Staatsoper de Berlim, onde já se
apresentou ao lado de celebridades como Daniel Baremboim e Plácido
Domingo, entre outros.
O programa desta noite, que conta com a participação da
notável pianista paraense Adriana Azulay, também radicada
na Alemanha, mostra a versatilidade da artista iniciando com peças
clássicas de Mozart (1756-1791) e Haydn (1732-1809), que são
verdadeiras jóias de equilíbrio entre o texto dramático
e os ornamentos belcantistas. Em seguida, o ciclo de canções
de Clara Schumann (1819- 1896), como todos sabemos mulher do genial Robert
Schumann (1810-1856). Clarita, como carinhosamente o compositor a chamava,
foi uma das maiores pianistas de seu tempo, além de compositora,
que nada deixa a dever aos grandes românticos. O italianismo de
Verdi está presente em suas canções, para onde o
maestro leva seu estilo operístico inigualável.
O domínio da soprano em várias línguas e estilos
prossegue nas cores espanholas de Turina, na música americana
do século 20, com Barber e Copland, passando também por
uma sua especialidade, que é o spiritual. Um dos pontos altos
está na música brasileira, aqui representada por José Siqueira
e Villa-Lobos, com a sua nacionalíssima Bachiana nº 5, oportunidade
que tem a artista de demonstrar toda sua identidade nativa.
Vamos ouvir a voz cálida e lírica, mas timbrada e forte
da soprano Adriane Queiroz, que venceu todos os obstáculos com
as armas mais fortes que um verdadeiro artista pode ter: a coragem, o
estudo e o talento. Nós, paraenses, nos orgulhamos da tradição
lírica de nossa terra que você renova. Vá, Adriane,
vôe e continue trilhando, no espaço que lhe é destinado,
seu caminho feito de luz e do brilho delle stelle.
Gilberto Chaves