Fotografia

Apresentação

A Arte Popular Brasileira

A idéia de realizar um projeto que mescla duas artes, a da fotografia e da produção artesanal, tem uma palavra chave: acesso. E isso justifica todo o processo de investimento em cultura no Brasil. Consideradas as dimensões do país e a multiplicidade de informação que compõe a cultura brasileira, face à diversidade de povos e línguas que contribuíram para a nossa formação é de fundamental importância que se encontrem mecanismos de difundir as várias manifestações artísticas e, com isto, auxiliar o processo de integração e de valorização da própria cultura.

Desta forma, o projeto Brasil das Artes é uma iniciativa que tem três objetivos primários: permitir o acesso à informação, integrar pessoas aos diversos aspectos de manifestação cultural e artística, divulgar os trabalhos artísticos que são realizados por artesãos em todo o país e "criar platéia" para a fotografia. Este talvez seja o aspecto mais ambicioso do projeto por várias razões.

O Brasil tem excelentes fotógrafos. A história da fotografia no Brasil começou com D. Pedro II e seu primitivo daguerreótipo, presente que ganhou poucos meses depois que Daguerre apresentou a nova técnica de fixação de imagens. D. Pedro II foi o primeiro fotógrafo brasileiro e iniciou uma longa tradição de bons profissionais. Hoje, nomes como Sebastião Salgado, Marcos Santilli, Pedro Henrique, Pedro Martinelli, Luiz Braga entre outros garantem a qualidade do que se faz e muitos destes nomes são mundialmente reconhecidos. Ainda que esteja presente no dia a dia através de jornais, revistas e outros meios, ainda são muito poucos as exposições de fotografia. É uma modalidade de trabalho artístico de custo relativamente baixo, temos acesso a alta tecnologia, permite infinitas possibilidades de reprodução e, no entanto, ainda não temos nenhuma galeria ou museu dedicada exclusivamente ao gênero. Esta é a razão maior de se realizar um projeto como este que tem como ponto de partida a fotografia: buscar mecanismos para que se mostre de forma regular uma importante manisfestação artística, contemporânea e, com toda a segurança, um forte instrumento de integração cultural.

A proposta de identificação e registro das principais vertentes da arte popular no Brasil foi desenvolvida e executada por Rosana Caramaschi que viajou a todas as regiões Brasileiras, identificando os artesãos, seus sítios de produção, as condições geofísicas e as características históricas do seu trabalho. Posteriormente, Caramaschi convidou fotógrafos contratados para realizarem ensaios fotográficos cujo fogo era a visitação a uma determinada produção de forma a apresenta-la em toda a sua exuberância: da coleta da matéria prima quando fosse o caso até a peça (as peças) prontas. Um trabalho de fôlego durante quatro anos (de 96 a 99) que continua atual e preserva um pouco da memória da arte popular no Brasil

 

A Cidade de São Paulo

São Paulo é uma fonte inesgotável para o olhar.  A proposta original deste trabalho que teve a curadoria de Rosana Caramaschi e supervisão geral, foi dimensionar as possibilidades de mostrar a cidade de São Paulo de maneira nunca vista, trazendo de volta as cores, formas e o detalhe, sempre na visão de um fotógrafo convidado, que, por um certo período, trabalharia a luz que as construções oferecem, eternizando em milhares de impressões o que está presente, que pode ser revisto, que deve ser desejado. Imagens e Construção é um caminho permanente de visita apaixonada à cidade de São Paulo que esperamos poder também levar a outras cidades brasileiras no futuro.

Hoje passados alguns anos, e observando o resultado da proposta conduzida em de 97 a 2000, percebemos a importância histórica desta documentação, entendendo melhor a dinâmica de ocupação dos espaços. Sempre procuramos conceituar o caráter extemporâneo dos objetos fotografados. O fotógrafo Pedro Henrique, já falecido, desenvolveu um estudo magnífico sobre as igrejas, mantendo o caráter destes espaços ao perpetuar um detalhe de fachada, um perfil de uma torre sob o céu azul, com o propósito de observar nada que sugerisse uma data, ou referência de tempo, intervenção urbana ou assemelhados. Já na Série São Paulo 2000, a cidade surge de uma foto de satélite, vista a partir de suas vias de acesso externo, observadas do céu em panorâmicas realizadas com horas e horas de helicóptero sobre a metrópole. Um trabalho magnífico cujo desafio será repeti-lo dentro de algum tempo e inevitavelmente compara-lo.

Esta fidelidade de olhar à Cidade de São Paulo é de fato uma forma de olhar o Brasil, com a certeza de que estas impressões podem motivar pessoas a outras formas de observação do seu cotidiano.

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